A revista britânica The Economist, com 182 anos de circulação no Reino Unido, publicou nesta terça-feira (24) uma reportagem em que aborda controvérsias envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF). No texto, o veículo afirma que “alguns dos juízes mais poderosos do mundo mantêm uma relação excessivamente próxima com a elite empresarial e política” e avalia que, apesar de se apresentar como defensor da democracia, o tribunal tem adotado postura mais rígida, por vezes interpretando críticas como ataques às instituições democráticas.

Logo no início da reportagem, a revista menciona o Banco Master e seu proprietário, Daniel Vorcaro . O caso é citado como exemplo de debates sobre ética no STF, após a divulgação de informações sobre relações entre o empresário e o então relator do processo em que ele é investigado.

Foto: Jacinto Teles
Supremo Tribunal Federal

Ao longo do texto, o ministro Dias Toffoli é citado 12 vezes. A publicação menciona o resort Tayayá e um relatório da Polícia Federal que teria identificado conversas entre magistrado e parte envolvida no processo.

A reportagem também aborda o ministro Alexandre de Moraes, citado 11 vezes. Segundo o veículo, surgiram questionamentos após a divulgação de informações de que a esposa do ministro, advogada, teria firmado contrato para representar o Banco Master. Ainda de acordo com a publicação, Moraes determinou a abertura de investigação contra servidores da Receita Federal por suposto vazamento de dados.

Revista aponta risco político caso direita amplie presença no Senado

Para contextualizar o cenário político, a revista destaca a expectativa de grupos da direita brasileira em ampliar a representação no Senado Federal, com o objetivo de impulsionar pedidos de impeachment de ministros do STF. Segundo o texto, há “animosidade especial” contra integrantes da Corte em razão de decisões envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Sem anúncio no momento

Diante das controvérsias, o presidente do STF, Edson Fachin, tenta articular a criação de um código de ética para os ministros. A relatoria da proposta foi atribuída à ministra Cármen Lúcia. Ainda não há consenso interno sobre o alcance das regras a serem estabelecidas. Conforme a reportagem, Toffoli e Moraes afirmaram não ter atuado em casos com conflito de interesses e consideram desnecessária a adoção de um novo código.

O veículo ouviu ainda o jornalista Pedro Doria, que citou pesquisas indicando que o posicionamento favorável ao impeachment de ministros do STF tem se tornado um dos fatores considerados por parte do eleitorado nas disputas políticas.