Os Estados Unidos devem anunciar um novo tarifaço sobre produtos brasileiros, com uma sobretaxa de 25% sobre parte das exportações nacionais. A medida é resultado da investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) sobre supostas práticas comerciais consideradas desleais pelo governo norte-americano.
A expectativa é de que a decisão seja publicada nesta quarta-feira (15). A alíquota deverá atingir cerca de 21% das exportações brasileiras, mas o Governo dos EUA também deve divulgar uma lista de exceções para produtos considerados sensíveis à inflação americana.
Produtos podem ficar de fora
Entre os itens que podem ser excluídos da sobretaxa estão aeronaves, produtos agropecuários, fertilizantes, minerais estratégicos e insumos industriais relevantes para a cadeia produtiva dos EUA.
Representantes do setor privado brasileiro avaliam que ainda há espaço para ampliar essa lista, incluindo produtos como calçados, café solúvel e componentes da indústria de máquinas e equipamentos.
Negociações não avançaram
O governo brasileiro afirma que as negociações com os Estados Unidos não resultaram em um acordo para evitar a medida. Nesta terça-feira, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o Ministério das Relações Exteriores e a Assessoria Especial da Presidência realizaram a quinta reunião de alto nível com o representante comercial americano, Jamieson Greer.
Segundo o MDIC, o Brasil reiterou que considera a aplicação da sobretaxa injustificada e incompatível com a construção de um acordo bilateral equilibrado.
Setor privado considera tarifa inevitável
Empresários da indústria e do agronegócio que participaram de audiências em Washington avaliam que a aplicação da tarifa se tornou praticamente inevitável. A percepção é de que a decisão do USTR já estava politicamente encaminhada, restando apenas a definição da abrangência das exceções.
A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) informou que aguarda o anúncio oficial para avaliar os impactos sobre o setor, mas mantém a expectativa de que o governo americano preserve parte das exclusões defendidas durante as negociações.
Investigação envolve Pix, etanol e meio ambiente
A investigação foi aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA. Entre os pontos questionados pelos norte-americanos estão o funcionamento do Pix, as políticas relacionadas aos serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e questões ambientais relacionadas ao desmatamento.
O governo brasileiro considera as acusações improcedentes e afirma que não fará concessões em temas classificados como estratégicos para o país.
Brasil prepara possível reação
Enquanto aguarda a decisão oficial, o governo trabalha em cenários de resposta caso a sobretaxa seja confirmada. A prioridade é identificar os setores mais afetados e discutir medidas de apoio às empresas exportadoras.
A expectativa do Planalto é de que, mesmo com a entrada em vigor da tarifa, ainda exista espaço para novas negociações e para a ampliação gradual da lista de produtos isentos da medida.