Os Estados Unidos confirmaram, na noite dessa quarta-feira (15), a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre determinados produtos brasileiros exportados para o mercado norte-americano. A medida foi adotada pelo presidente Donald Trump após a conclusão de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), com base na Seção 301 da Lei de Comércio do país.

Durante entrevista coletiva, o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, afirmou que o governo brasileiro não demonstrou avanços suficientes nas negociações para fortalecer as relações comerciais entre os dois países. Segundo ele, a lista completa dos produtos afetados será publicada no Federal Register, equivalente ao Diário Oficial americano.

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Donald Trump

Greer também advertiu que, caso o Brasil decida responder à medida com tarifas ou outras restrições comerciais, o governo norte-americano poderá reavaliar sua posição e adotar novas ações.

Governo brasileiro avalia resposta

A decisão já era considerada provável pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que vinha acompanhando o andamento da investigação. Ainda nesta quarta-feira, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o Brasil poderá recorrer ao princípio da reciprocidade, adotando medidas equivalentes contra produtos americanos caso considere necessário.

Críticas ao Brasil

Além das questões relacionadas às negociações comerciais, Jamieson Greer declarou que o Brasil teria concedido condições comerciais mais vantajosas a países como México e Índia, enquanto os Estados Unidos não teriam recebido tratamento semelhante.

A investigação que embasou a decisão foi aberta em julho do ano passado. Na ocasião, o USTR apontou preocupações relacionadas a práticas comerciais consideradas injustas, citando, entre outros fatores, o sistema de pagamentos instantâneos Pix e a comercialização de produtos piratas na região da Rua 25 de Março, em São Paulo.

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Nova investigação em andamento

Além da tarifa de 25% anunciada nesta quarta-feira, o governo brasileiro acompanha outra investigação conduzida pelo USTR. Nesse processo, os Estados Unidos avaliam a possibilidade de impor uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros e de outros países, sob a justificativa de falhas no combate à entrada, no mercado americano, de mercadorias produzidas com trabalho forçado.

A nova rodada de tarifas aumenta a pressão nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos e abre espaço para uma possível escalada de medidas de retaliação entre os dois países.