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Internacional

Conferência de paz sobre a Síria tem impasses no primeiro dia

Regime de Assad e Rússia insistem que ditador deve participar de transição, o que EUA, rebeldes e monarquias sunitas não aceitam.

A conferência de paz sobre a Síria começou nesta quarta-feira, 22, com trocas de acusações entre o regime de Bashar Assad e países ocidentais e a exigência dos EUA de que Bashar Assad terá de sair para que haja paz. Os duros debates evidenciaram o impasse em torno da questão síria. No primeiro encontro entre a oposição e o regime sírio em três anos de guerra, ninguém deu sinais de que pretende ceder.

"O mundo está profundamente dividido. Mas precisamos de um novo começo", declarou Ban Ki Moon, secretário-geral da ONU. O novo começo, segundo ele, seria a criação de um governo de transição. Se o objetivo da sessão de ontem com 40 países era mostrar o compromisso internacional com essa alternativa, a realidade é que a divisão ficou mais clara que nunca.

Kerry alertou que não haveria espaço para um acordo para a criação de um governo de transição que conte com Assad. "Só há uma solução que é a criação de um governo de transição e seria formado por um acordo mútuo. Mas temos de ser realistas: isso significa que esse governo não poderá ser formado por alguém com sangue nas suas mãos", disse. "Assad não pode fazer parte desse governo. Não há como imaginar que o homem que liderou o massacre pode ter legitimidade para liderar. O direito de liderar um país não vem da tortura, mas do consenso popular e não sei como haveria um lugar para ele. "

Ainda de acordo com o chefe da diplomacia americana, as negociações serão um processo difícil e um teste para a comunidade internacional. Kerry também deixou claro que não haveria lugar para extremistas nesse governo. Mas alertou que a explosão de grupos jihadistas vem justamente da "intransigência do governo". "Essa revolução não começou com armas. Começou com estudantes. Foi Assad que respondeu com força."

O chanceler britânico, Wiliam Hague, saiu em apoio aos americanos, alertando que "Assad destruiu sua própria legitimidade", mesma posição adotada pela diplomacia turca. "Todos aqueles com sangue nas mãos não podem fazer parte do processo", disse o ministro de Relações Exteriores Ahmet Davutoglu.

Entre os sauditas, acusados de estarem financiando a oposição, os ataques contra Assad eram explícitos. "Temos que encontrar um interlocutor do outro lado da mesa", disse o chanceler Saud Al Faisal, que acusou Assad de "arrogante". Os sauditas ainda alertaram que, para a Síria "sair da escuridão", Irã e o Hezbollah precisam deixar o país.

Os grupos de oposição também lançaram ataques contra o governo Assad, que sentava ao outro lado da mesa. "A revolução era pacífica. Mas fomos obrigados a lutar", disse Ahmad Jarba, chefe do Conselho Nacional Sírio (CNS).

Uma posição radicalmente diferente foi adotada por Sergei Lavrov, o chanceler russo. "Uma solução precisa ser tomada pelos sírios. São eles que precisam chegar a um acordo sobre seu futuro. Impor algo de fora vai levar fazer o relógio ser retardado e vamos impedir a modernização de uma sociedade", disse. "Não podemos pré-determinar o que vai acontecer. Precisamos garantir a soberania síria, garantir que não vá haver uma intromissão em assuntos internos."

Mas foi a dura intervenção do chanceler sírio, Walid Muallem, que deu o tom do tamanho da crise a ser superada. Para ele, é Assad quem "representa o povo". Ele também atacou o envolvimento externo na guerra. "Alguns estão tentando levar a Idade Média de volta para a Síria. É lamentável que representantes de estados nesse sala estejam aqui enquanto o sangue de sírios correm de suas mãos", atacou. "Eles exportaram para a Síria o terrorismo."

Em um ataque aos sauditas e Catar, o chanceler apontou que esses governos "usaram petrodólares para comprar armas e inundar o país de terroristas". "São monstros na forma de humanos", atacou. O chanceler também acusou a oposição de "traição" e de ter "se vendido". "Fomos apunhalados pelas costas", disse. "São mentes doentes e só podem ser descritos como estupidez".

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