Em sua estreia na Assembleia Geral da ONU, o presidente Jair Bolsonaro fez nesta terça-feira, 24, um discurso desafiador e reiterou conceitos do “bolsonarismo” ao atacar o socialismo e o que ele classificou como “ambientalismo radical” e “indigenismo ultrapassado”.
Nas críticas, o presidente brasileiro fez menção direta à França, país que esteve na linha de frente das críticas ao Brasil na questão da Amazônia. Ele negou ter sido agressivo e classificou o próprio discurso como "objetivo e contundente".
Bolsonaro voltou a sustentar a teoria de que os países que o criticam têm interesse comercial nas riquezas minerais do País e disse que é uma “falácia dizer que a Amazônia é patrimônio da humanidade” e um “equívoco” chamar a floresta de pulmão do mundo. “Valendo-se dessas falácias, um ou outro país, em vez de ajudar, embarcou nas mentiras da mídia e se portou de forma desrespeitosa, com espírito colonialista”, disse Bolsonaro.
“É uma falácia dizer que a Amazônia é patrimônio da humanidade e um equívoco, como atestam os cientistas, afirmar que a nossa floresta é o pulmão do mundo. Valendo-se dessas falácias, um ou outro país, em vez de ajudar, embarcou nas mentiras da mídia e se portou de forma desrespeitosa, com espírito colonialista”, afirmou Bolsonaro.
Em sua oitava viagem internacional – a terceira para os Estados Unidos –, Bolsonaro busca reverter o desgaste na imagem do País no exterior. O governo brasileiro tenta fazer dos corredores das Nações Unidas, e do discurso do presidente na plenária, um palco para a gestão da crise diplomática que teve como fator de combustão as falas de Bolsonaro – durante a campanha e já na cadeira de presidente, sobre política ambiental e exploração da floresta. A Assembleia-Geral da ONU e estreia do brasileiro na organização se tornou o maior teste de política externa de Bolsonaro.
“Ela (Amazônia) não está sendo devastada e nem consumida pelo fogo, como diz mentirosamente a mídia. Cada um de vocês pode comprovar o que estou falando agora. Não deixem de conhecer o Brasil, ele é muito diferente daquele estampado em muitos jornais e televisões”, disse o presidente.
Bolsonaro: ‘Questionaram a nossa soberania’
Apesar de prometer um tom conciliatório, Bolsonaro deixou claro que suas críticas estavam direcionadas a líderes como Macron e saudou, como aliado, o americano Donald Trump. “Questionaram aquilo que nos é mais sagrado: a nossa soberania! Um deles por ocasião do encontro do G-7 ousou sugerir aplicar sanções ao Brasil, sem sequer nos ouvir. Agradeço àqueles que não aceitaram levar adiante essa absurda proposta”, afirmou Bolsonaro. Depois de discursar, Bolsonaro se sentou na plateia do plenário da ONU para assistir a fala de Trump. Os dois devem se encontrar ainda nesta terça-feira.
O plenário estava com lotação praticamente completa durante o discurso de Bolsonaro. Uma das líderes presentes para ouvir o brasileiro foi Angela Merkel, chanceler da Alemanha, que bateu quatro palmas, sem entusiasmo, quando o discurso de Bolsonaro acabou.
Um dia antes do discurso da abertura da Assembleia-Geral, a ONU foi palco de uma discussão global sobre mudanças climáticas e meio ambiente, algumas das principais preocupações do secretário-geral da instituição, o português Antônio Guterres. Líderes internacionais, entre eles Macron debateram o futuro das florestas tropicais –das quais a Amazônia é a maior – e lançaram uma aliança para conservá-las. O governo brasileiro esteve ausente da sessão.
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