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Internacional

Emmanuel Macron classifica acordo entre UE e Mercosul como “mau negócio”

Macron voltou a defender a criação de um mecanismo de endividamento conjunto da UE, como os eurobônus.

Nesta terça-feira (10), em entrevistas concedidas à imprensa francesa, o presidente da França, Emmanuel Macron, voltou a criticar o acordo comercial firmado entre a União Europeia (UE) e o Mercosul. Na avaliação do líder francês, trata-se de um “mau negócio”.

Ao comentar sobre a possibilidade de avanço do tratado, Macron afirmou que o acordo é antigo e foi mal conduzido nas negociações: “Em qualquer caso, o Mercosul não terá o impacto dramático na nossa agricultura que alguns temem, nem o efeito positivo no crescimento que outros imaginam”, afirmou.

Foto: Facebook/Emmanuel MacronEmmanuel Macron
Emmanuel Macron

O presidente francês também destacou que a Europa enfrenta um desafio “enorme” e defendeu que a União Europeia concentre esforços em investimentos estratégicos, como a transição ecológica, a inteligência artificial e a tecnologia quântica, financiados por meio de uma dívida comum.

Nesse contexto, Macron voltou a defender a criação de um mecanismo de endividamento conjunto da UE, como os eurobônus. A medida, segundo ele, permitiria investimentos em larga escala e ajudaria o bloco europeu a enfrentar a hegemonia do dólar americano.

“Agora é o momento de lançar uma capacidade conjunta de empréstimo para essas despesas futuras, por meio de eurobônus orientados para o futuro”, declarou o presidente da França durante a entrevista.

Macron ainda afirmou que a Europa precisa reforçar a proteção de suas próprias indústrias. Para o chefe de Estado francês, é necessária uma “preferência europeia” em setores estratégicos, alertando que, sem isso, os países do bloco “serão varridos pela correnteza”.

As declarações foram feitas às vésperas da reunião dos chefes de Estado e de governo da União Europeia, marcada para quinta-feira (12), em Bruxelas, cujo foco será a discussão sobre a competitividade do bloco.

Em negociação há mais de 25 anos, o acordo Mercosul–UE prevê a criação de uma zona de livre comércio entre os dois blocos, abrangendo os setores agrícola e industrial, com redução de tarifas de importação e exportação. Macron contesta o tratado e afirma não admitir que a França o assine, argumentando que o país possui forte potencial agrícola e que, se o acordo avançar como previsto, produtos sul-americanos poderiam dominar o mercado europeu, causando perdas aos agricultores franceses, que não conseguiriam competir com a capacidade produtiva do Brasil e de outros países da América do Sul.

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