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Ex-primeiro-ministro da Noruega é acusado de corrupção ligada a Epstein

Segundo o chefe do órgão, Pål Lonseth, várias propriedades de Jagland foram alvo de buscas no mesmo dia.

O ex-primeiro-ministro da Thorbjorn Jagland foi acusado de “corrupção grave” em conexão com seus vínculos com o financista Jeffrey Epstein, condenado por exploração sexual. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (12) pela Autoridade Nacional da Noruega para Investigação e Processo de Crimes Econômicos e Ambientais, conhecida como Okokrim.

Segundo o chefe do órgão, Pål Lonseth, em entrevista à emissora estatal NRK, várias propriedades de Jagland foram alvo de buscas no mesmo dia. O advogado do ex-premiê, Anders Brosveet, afirmou que o cliente está colaborando com as investigações.

Foto: ReproduçãoThorbjorn Jagland
Thorbjorn Jagland

A acusação formal ocorreu um dia após o Conselho da Europa, que Jagland presidiu anteriormente, anunciar a suspensão de sua imunidade diplomática, a pedido das autoridades norueguesas. A medida tem como objetivo permitir o avanço de processos relacionados às alegações de corrupção agravada.

Investigação sobre benefícios e favores

Na semana passada, investigadores de crimes econômicos abriram um inquérito para apurar os laços entre Epstein e Jagland, que também atuou como ministro das Relações Exteriores e presidente do Comitê Norueguês do Nobel. O foco é verificar se o ex-premiê recebeu presentes, viagens ou empréstimos em razão de sua posição.

Documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos apontam que Epstein e Jagland mantinham proximidade, trocando mensagens sobre encontros, refeições e viagens.

Em um e-mail de fevereiro de 2015, Jagland informou que viajaria a Paris e perguntou se poderia se hospedar em um apartamento de Epstein. A resposta indicou que o pedido havia sido autorizado. Epstein morreu em uma prisão de Nova York, em 2019.

Repercussão atinge outras autoridades

A investigação também passou a envolver outras figuras públicas da Noruega. Entre elas estão a princesa herdeira Mette-Marit, o ex-ministro das Relações Exteriores Børge Brende, atual diretor do Fórum Econômico Mundial, e a diplomata Mona Juul, que foi suspensa do cargo de embaixadora na Jordânia e renunciou em seguida.

A divulgação dos arquivos relacionados a Epstein provocou impactos em diversos países, mas, segundo analistas, a Noruega foi particularmente afetada.

Ligações internacionais geram preocupação

Entre os documentos analisados, consta uma mensagem enviada por Epstein a Jagland em 2018, quando este presidia o Conselho da Europa, mencionando o presidente russo Vladimir Putin e o chanceler Sergey Lavrov. No texto, Epstein sugeria que Lavrov poderia obter informações conversando com ele.

Embora não haja indícios de que um encontro tenha ocorrido, as comunicações levantaram preocupação entre autoridades.

Governo apoia apuração independente

O atual primeiro-ministro, Jonas Gahr Store, declarou apoio a uma investigação independente e afirmou que prestará esclarecimentos, se necessário, sobre sua atuação como ex-ministro das Relações Exteriores.

Um comitê de supervisão encaminhou ao governo uma lista de questionamentos sobre pagamentos, medidas de segurança e atividades diplomáticas relacionadas ao caso. O prazo para resposta termina em 24 de fevereiro, quando novas reuniões devem definir os próximos passos da apuração.

As autoridades norueguesas afirmam que as investigações seguem em andamento e que novas informações poderão ser divulgadas nas próximas semanas.

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