A Rússia realizou um novo ataque em larga escala contra a infraestrutura energética da Ucrânia, utilizando mísseis e drones poucas horas antes da retomada das negociações de paz em Genebra, mediadas pelos Estados Unidos. A ofensiva ocorreu em meio à tentativa de retomada do diálogo diplomático entre os países, intensificando a tensão no cenário do conflito.
De acordo com autoridades ucranianas, cerca de 30 mísseis e quase 400 drones foram lançados. Parte dos projéteis conseguiu ultrapassar os sistemas de defesa aérea, causando danos relevantes em estruturas responsáveis pelo fornecimento de energia, água e aquecimento, justamente durante um dos invernos mais rigorosos enfrentados recentemente pelo país. Como consequência, milhares de moradores ficaram sem eletricidade em pelo menos oito regiões.
O Ministério da Defesa russo afirmou que os alvos atingidos teriam uso militar, alegando que instalações serviriam para a produção e o lançamento de drones ucranianos. Apesar disso, autoridades locais relataram vítimas civis e prejuízos em áreas urbanas.
Ao menos seis pessoas morreram em dois episódios distintos na região de Donetsk. Três trabalhadores foram atingidos enquanto realizavam reparos em uma usina elétrica na cidade de Sloviansk, enquanto outras três vítimas estavam dentro de um carro atingido por um drone em Kramatorsk. As duas cidades, entre as maiores da província parcialmente ocupada, permanecem sob controle de Kiev. Moscou exige que o governo ucraniano entregue esses territórios, enquanto o presidente Volodymyr Zelensky rejeita qualquer concessão territorial em meio às disputas ainda em andamento. Atualmente, forças russas controlam mais de três quartos da região de Donetsk.
Rodrigo Mendes
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