O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nessa sexta-feira (6) um decreto que amplia a importação de carne bovina da Argentina com isenção tarifária. A medida, de caráter temporário, autoriza a compra anual de até 80 mil toneladas adicionais de aparas de carne bovina magra, produto formado por retalhos resultantes do processo de desossa.
O objetivo declarado é ampliar a oferta interna diante de dificuldades enfrentadas pelo setor pecuário americano. No texto do decreto, o governo aponta uma combinação de fatores que pressionam o mercado de carne nos Estados Unidos. Entre eles estão a queda recorde do rebanho, com redução de 8,6% no número de cabeças de gado desde 2020, além de períodos prolongados de seca e incêndios florestais que afetaram áreas produtoras.
Também são citadas restrições sanitárias à importação de gado do México, que reduziram ainda mais a oferta no país. Segundo o documento, esses fatores contribuíram para a elevação do preço da carne moída ao maior patamar desde o início da série histórica, nos anos 1980.
O texto destaca que os Estados Unidos lideram o consumo mundial de carne bovina em volume e ocupam a segunda posição global no consumo per capita, ressaltando a relevância do produto na alimentação da população americana. A medida busca garantir abastecimento em meio aos desafios enfrentados pelo setor.
Dados do governo americano citados pela agência Reuters indicam que, em 2024, os Estados Unidos importaram cerca de 33 mil toneladas métricas de carne bovina argentina. Esse volume representou aproximadamente 2% do total das importações do produto no período. Com o decreto, a expectativa é ampliar temporariamente essa participação para atender à demanda do mercado interno.
Davi Fernandes
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