O ativista brasileiro Thiago Ávila foi libertado e deportado por Israel neste domingo (10), após permanecer preso por mais de uma semana depois da interceptação da Flotilha Global Sumud, missão humanitária que seguia em direção à Faixa de Gaza. A informação foi confirmada pelo Ministério das Relações Exteriores de Israel e pela organização de direitos humanos Adalah, responsável pelo acompanhamento jurídico do caso.
Thiago Ávila e o ativista palestino-espanhol Saif Abu Keshek estavam detidos desde o dia 29 de abril, após a embarcação ser interceptada por forças israelenses em águas internacionais próximas à Grécia.
Segundo o governo israelense, os dois foram deportados após a conclusão das investigações. Em nota publicada nas redes sociais, o Ministério das Relações Exteriores de Israel classificou os ativistas como “provocadores profissionais” e afirmou que o país “não permitirá qualquer violação do bloqueio naval legal a Gaza”. A organização Adalah, no entanto, condenou toda a operação e acusou Israel de violar normas internacionais durante a prisão dos integrantes da flotilha.
“Desde o sequestro em águas internacionais até a detenção ilegal em completo isolamento e os maus-tratos aos quais foram submetidos, as ações das autoridades israelenses representaram um ataque punitivo contra uma missão totalmente civil”, afirmou a entidade em nota.
A ONG também acusou Israel de usar detenções e interrogatórios como forma de repressão contra ativistas internacionais que prestam apoio à população palestina em Gaza.
“O uso de detenção, interrogatórios e tortura contra ativistas e defensores dos direitos humanos é uma tentativa inaceitável de suprimir a solidariedade global ao povo palestino em Gaza”, declarou a organização.
Segundo publicações feitas nas redes sociais de Thiago Ávila, o brasileiro desembarcaria no Cairo, no Egito, horas após a deportação.
Missão humanitária
A Global Sumud Flotilla reunia ativistas de diferentes países e tinha como objetivo levar ajuda humanitária à Faixa de Gaza e denunciar o bloqueio imposto por Israel ao território palestino.
A embarcação havia partido da França, Espanha e Itália antes de ser interceptada pelas forças israelenses.
Israel mantém o bloqueio sobre Gaza desde 2007. Desde o início da guerra no território, em outubro de 2023, organismos internacionais têm alertado para o agravamento da crise humanitária na região, marcada pela falta de alimentos, medicamentos e combustível.
Davi Fernandes
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