O governo brasileiro decidiu expulsar do país o russo Sergey Vladimirovich Cherkasov, preso em 2022 em Brasília por uso de documento falso. A medida foi publicada no Diário Oficial da União na segunda-feira (6) e determina o retorno do estrangeiro à Rússia, além da proibição de entrada no Brasil por 30 anos. A expulsão, no entanto, não será imediata.
A decisão provocou reação do governo dos Estados Unidos. Em nota divulgada na quarta-feira (8), um porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos afirmou que Washington está “profundamente preocupado” com a permissão concedida ao indivíduo com “vínculos conhecidos com a inteligência russa” para deixar o território brasileiro.
Os EUA também pediram que o Brasil considere o precedente criado pela medida e mantenha cooperação com Washington para responsabilizar pessoas que, segundo o governo americano, representam ameaça à segurança coletiva. A manifestação marca mais um ponto de tensão diplomática entre os dois países em torno de temas ligados à inteligência e à interferência estrangeira.
Cherkasov foi preso utilizando o nome brasileiro de Victor Muller e permanece sob custódia na Penitenciária Federal de Brasília. Ele cumpre pena de cinco anos por falsidade ideológica (reduzida de 15 anos) e poderá ser expulso antes do término da condenação. O parecer foi assinado pela coordenadora de processos migratórios, Alessandra Teixeira de Araújo, com base na Lei de Imigração.
Segundo informações compartilhadas pela CIA, o russo teria atuado com identidade falsa também nos Estados Unidos, onde estudou em uma universidade. As investigações conduzidas por autoridades brasileiras e norte-americanas, entretanto, não encontraram evidências de que ele espionou o Brasil. O alvo das operações, segundo os investigadores, seriam os Estados Unidos e países europeus. Cherkasov nega até hoje ser agente da inteligência russa.
Juliana Andrade
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