Um lavrador do interior do Maranhão viralizou nas redes sociais ao mostrar sua indignação com a implementação do programa Gás do Povo . Na nova modalidade, o benefício não é mais pago em dinheiro e, para ter acesso, o beneficiário deve ir a uma revenda autorizada para efetuar a troca direta do botijão de gás.

Em vídeo com mais de 1 milhão de visualizações, Francisco Pereira da Costa, morador do Povoado Lagoa Seca, no município de Lagoa da Pedra, expõe que a mudança tem causado mais prejuízos para a população, especialmente para aqueles que vivem em lugares remotos, com difícil acesso a meios de transporte.

Segundo o lavrador, no povoado onde mora, algumas pessoas chegam a cobrar R$ 80 para levar o botijão de gás até a revenda e trazê-lo de volta. “Com R$ 40 para ir e R$ 40 para voltar. E o ‘bujão’ de gás na Lagoa Seca é só R$ 120. Você acha que vale a pena a mãe receber o vale-gás desse jeito? [...] Tiraram o direito de um comerciante do meu povoado vender um botijão de gás”, expressou Francisco.

Conhecido nas redes sociais como Churica do Panelão, Francisco concedeu entrevista ao GP1 nesta quarta-feira (04), em que reforçou, mais uma vez, o descontentamento com as dificuldades enfrentadas pelas pessoas que dependem do benefício para adquirir o botijão.

“O Gás do Povo dificultou porque essas pessoas que recebiam o dinheiro na conta compravam o gás aqui no povoado, e agora não tem mais como. Do meu interior para a cidade é uma distância de 47 km, então as Hilux estão cobrando R$ 40 só para levar o ‘bujão’ seco e R$ 40 para voltar. Tem pessoas aqui que não sabem ler, tem pessoas que não sabem nem acessar a conta do governo que eles estão pedindo”, relatou Churica.

Ele afirmou que ficou contente com a repercussão do vídeo nas redes sociais, pois espera chamar a atenção do poder público para dar um novo olhar sobre a situação e evitar que os beneficiários continuem sendo prejudicados.

Sem anúncio no momento

“Eu gravei o vídeo para chamar atenção, eu quero uma solução. É fácil para quem mora na cidade, perto do centro, para quem tem uma motocicleta, mas para a gente não. Aqui no Maranhão tem lugar sem acesso à água, sem saneamento, sem saúde, sem estrada. Isso é um absurdo para quem vive nessas condições”, concluiu o lavrador.