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Bolsonaro condecora brigada de Israel que ajudou em Brumadinho

No total, 133 militares foram escalados para ajudar na ação; mais cedo, o presidente brasileiro visitou a Unidade de Contraterrorismo da Polícia israelense,

Por  Estadão Conteúdo

O presidente Jair Bolsonaro chegou a Ramla, localizada a 50 km de Jerusalém, nesta segunda-feira, 1.º, onde condecorou com a insígnia Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul a Brigada de Resgate e Salvamento do Comando da Frente Interna de Israel em uma rápida cerimônia. Ele agradeceu à delegação israelense que colaborou no fim de janeiro no resgate das vítimas da tragédia de Brumadinho, em Minas Gerais.

A instituição, que recebeu a mais alta comenda concedida pelo presidente do País a estrangeiros, foi homenageada em razão do envio da delegação de assistência humanitária para o Brasil "Iron Shield" (escudo de ferro).

  • Foto: Embaixada de Israel no BrasilGrupo formado por 129 militares israelenses vai atuar nas buscas em BrumadinhoGrupo formado por 129 militares israelenses que atuaram nas buscas em Brumadinho

"O trabalho dos senhores foi excepcional e fez com que nossos laços de amizade, de muito tempo, se fortalecessem. Nunca esqueceremos o apoio humanitário por parte de todos vocês", disse Bolsonaro à Brigada em um discurso. No total, 133 militares foram escalados para ajudar no resgate. No início do evento, os israelenses lembraram o acidente e exibiram um vídeo sobre a atuação no Brasil.

O presidente contou que, em 1985, estava no Exército brasileiro como capitão e tinha acabado de concluir um curso de mergulho no Rio de Janeiro. "Um ônibus caiu em um rio que alimentava uma grande represa, 15 pessoas perderam suas vidas e estavam no fundo dela. Eu estava de férias e me voluntariei para resgatar os corpos na represa de 25 metros, com água barrenta e sem visibilidade, o fundo bastante lodoso", descreveu.

Ele relatou que perguntou a um colega sobre o risco da operação em relação à compensação, já que parecia zero a chance de encontrar alguém no fundo da lagoa. "O objetivo não era encontrar corpo, mas de propiciar conforto aos familiares que viam o trabalho perto da represa", respondeu o colega, de acordo com Bolsonaro.

Sobre o trabalho em Brumadinho, o presidente disse que horas após a tragédia recebeu um telefonema do primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, oferecendo ajuda na busca aos desaparecidos. "Agradeci, aceitei e os senhores foram para lá. O trabalho foi semelhante àquele prestado por mim no passado: confortar familiares ao encontrar um ente que havia perdido a vida."

Por se tratar de uma instituição, a insígnia não tem grau, como a concedida a personalidades. A Cruzeiro do Sul já foi atribuída à rainha britânica Elizabeth II, à cantora portuguesa Amália Rodrigues e ao líder revolucionário cubano Ernesto Che Guevara, entre outros.

Bolsonaro já saiu do local para cumprir o programa de viagem. A imprensa brasileira assistiu à cerimônia, mas não teve contato direto com o presidente. Mais cedo, ele visitou a Unidade de Contraterrorismo da Polícia israelense, porém os jornalistas não puderam acompanhar o evento.

À tarde em Israel, ainda manhã no Brasil, Bolsonaro deve visitar a Igreja do Santo Sepulcro. Nem toda a imprensa brasileira deve acompanhar essa atividade porque, para assistir à visita do presidente ao Muro das Lamentações - marcada para ocorrer na sequência -, será preciso chegar ao local com duas horas de antecedência para passar pelo procedimento de identificação e segurança.

Ele será acompanhado por Netanyahu, que está em reta final da campanha parlamentar. No domingo, o porta-voz da Presidência da República, o general Otávio Santana do Rêgo Barros, disse que o presidente depositará seus desejos e orações no local. "Assim devemos compreender a ida ao Muro das Lamentações. O presidente não está avaliando essa visita sob nenhum aspecto que não apenas o emocional ou religioso", afirmou.