Teresina - PI

Fotógrafa é acusada de enganar cerca de 17 clientes em Teresina

Em entrevista ao GP1, uma das mães, que preferiu não se identificar, relatou que as vítimas já se reuniram em um grupo e que vão fazer Boletim de Ocorrência, além de entrar na Justiça.

Wanessa Gommes
Teresina
- atualizado

Uma fotógrafa de Teresina identificada como Débora Emilly está sendo acusada de enganar mães que a contrataram para fazer um ensaio com recém-nascido chamado “Newborn”. Cerca de 17 mães afirmam que foram vítimas da profissional.

Em entrevista ao GP1, uma das mães, que preferiu não se identificar, relatou que as vítimas já se reuniram em um grupo e que vão fazer Boletim de Ocorrência, além de entrar na Justiça contra a fotógrafa. Ela fez uma postagem em sua página no Instagram e desde então tem recebido várias mensagens de pessoas dizendo que foram vítimas da mesma fotógrafa.

“Fiz de tudo, fui paciente, compreensiva, elegante, tentei resolver da melhor forma, mas já são sete meses desde quando eu fiz o ensaio e nada de receber nem as fotos e nem o dinheiro. O marido dela, que também é fotógrafo, só diz que ela está doente, com depressão e que está resolvendo, mas até agora nada de concreto”, afirmou.

De acordo com a vítima, ela entrou em contato com a fotógrafa no início do ano, ainda quando estava grávida. “Em janeiro deste ano entrei em contato com ela, que prontamente me passou os pacotes e as opções de pagamento. No começo de fevereiro eu fechei o contrato, ela foi até o meu trabalho, assinei e passei o cartão no valor de R$ 800,00. No final de março, ela fez as fotos”, relatou.

“Depois do ensaio, ela me passou o link pra eu escolher as fotos, mas como gostei de muitas e fiquei indecisa, tentei negociar um valor para escolher mais fotos do que o que foi contratado inicialmente, no entanto ela foi totalmente inflexível”, lembrou.

Ainda segundo a denunciante, a fotógrafa afirmou que somente trataria as fotos extras se o pagamento fosse adiantado. “Eu pedi então que ela tratasse as fotos do contrato original que eu providenciaria o pagamento das outras. No dia 8 de maio eu paguei R$ 390,00 de foto extra”, contou.

Já próximo do Dia das Mães, a denunciante pediu que a fotógrafa enviasse as fotos do contrato e, de acordo com ela, Débora disse que enviaria todas, inclusive as extras na semana seguinte.

“Semana seguinte cobrei, cobrei e nada. No dia 17 de maio, ela me pediu todas as numerações das fotos de novo. Passei quase um mês cobrando as fotos e nada. Já no dia 11 de junho, o marido dela enviou um áudio dizendo que eles tiveram um problema com o HD onde estavam as fotos do ensaio e que há mais ou menos 40 dias esse HD estava em São Paulo para tentar recuperar”, disse.

A denunciante então questionou o fato da fotógrafa ter cobrado pelas fotos extras já sabendo que o HD estava com problema. “Se no dia 8 de maio, o HD já estava com problema, porque ela aceitou que eu pagasse ainda mais por fotos que eu não teria, provavelmente, nem as do contrato original?”, indagou.

“De lá para cá, eles sempre com mentiras, descaso e silêncio, até que há uns 25 dias, o marido me ligou dizendo que, infelizmente, não conseguiu recuperar as fotos, mas que em 15 dias me daria pelo menos o dinheiro e quando resolvesse as fotos entraria em contato comigo. Até hoje, nada, não recebi nem o dinheiro e nem as fotos”, criticou.

A reclamante disse que resolveu denunciar o caso porque cansou da falta de atenção da fotógrafa e do marido. “Cansei, resolvi não sofrer mais sozinha. Já somos 17 mães, mas o próprio marido disse que o problema aconteceu com 20 mães. Foi mais do que dinheiro, foi um sonho que simplesmente eles jogaram fora”, finalizou.

Outro lado

Procurada, a assessoria jurídica da empresa PhotoGram - PI, dos fotógrafos Junior Morais e Debora Emily, enviou nota de esclarecimento alegando que "houve um dano no equipamento que alocava todo o material dos últimos trabalhos realizados na época pelos profissionais, que transtornados e abalados psicologicamente com o ocorrido imediatamente entraram em contato com todos os clientes envolvidos nessa celeuma, explicando de forma clara e transparente o que havia acontecido e se disponibilizando a negociar a devolução dos valores pagos".

Confira abaixo a nota na íntegra:

NOTA DE REPÚDIO E ESCLARECIMENTOS

A PhotoGram - PI, empresa de fotografia, representada pelos fotógrafos Junior Morais e Debora Emily, através de sua assessoria jurídica, vem a público esclarecer e repudiar toda a exposição difamatória que vem sendo realizada em redes sociais utilizando-se do nome da empresa e dos fotógrafos que a compõem. Em meados de Abril de 2019, diante da grande agenda de trabalhos e ensaios fotográficos realizados pela empresa, os profissionais Junior e Debora vinham alocando todas as mídias dos trabalhos realizados em um equipamento HD da marca Hitachi, com capacidade de 500GB de memória (série 5212DNR), o que passou repentinamente a apresentar falhas de inicialização, não abrindo em nenhum computador ou notebook.

Preocupados com o material que estava alocado no referido HD, os profissionais encaminharam o equipamento imediatamente para a cidade de São Paulo-SP na data de 10/06/2019, em uma empresa autorizada da marca do objeto e com vasta experiência em recuperação de arquivos de mídia, cujo tal empresa após todas as tentativas de recuperação e análise emitiu o seguinte laudo na data de 15/10/2019:

  • Foto: DivulgaçãoSituação do HDSituação do HD

Conforme se pode observar pelo extrato do laudo técnico, é possível identificar que lamentavelmente houve um dano no equipamento que alocava todo o material dos últimos trabalhos realizados na época pelos profissionais da PhotoGram - PI, que transtornados e abalados psicologicamente com o ocorrido imediatamente entraram em contato com todos os clientes envolvidos nessa celeuma, explicando de forma clara e transparente o que havia acontecido e se disponibilizando a negociar a devolução dos valores pagos.

Ou seja, em nenhum momento os proprietários se eximiram das suas responsabilidades, ainda que a perda dos arquivos contidos no HD não tenha sido causada por estes, eles assumiram toda a situação e procuraram todos os clientes para relatar os fatos, pois, que profissional seria capaz de pôr fim ao seu material de trabalho?! Nenhum! Logo se vislumbra que não houve qualquer conduta dolosa por parte da empresa e nem de seus profissionais que a compõem de prejudicar seus clientes, pois são estes a razão de existir da empresa e para quem estes profissionais trabalham diuturnamente.

Entretanto, no final do mês de Outubro de 2019, chegou a conhecimento dos proprietários da empresa que uma pessoa estaria enviando mensagens a todos os contatos do Instagram da empresa instigando vários clientes a ingressar em um grupo de pessoas que teriam sido “lesadas” pela fotografa Debora Emily, inclusive a denominando a fotógrafa em diversos grupos de Whatsapp como “Picareta”, instigando ainda a expor a fotografa e a empresa em redes sociais, portais e jornais.

A PhotoGram - PI repudia com veemência tais atitudes, e esclarece que em nenhum momento a empresa, e muito menos a fotografa Debora, se eximiu ou se escondeu para não assumir suas responsabilidades, tendo endereço publico e telefone expostos em contrato e como sempre prezaram pelo profissionalismo e transparência tendo sido claros com todos os seus clientes perante o ocorrido com as mídias que se encontravam no referido equipamento de HD.

Outrossim, é cabível mencionar que toda a campanha denegritória vem sendo liderada por uma terceira pessoa que sequer teve seu material fotográfico danificado, iniciando essa campanha com intuito claro de atacar a pessoa da profissional Debora e de prejudicar sua empresa, manchando seu nome no mercado fotográfico e do seu esposo, pelo simples fato de que a mesma se sentiu afrontada quando a profissional se recusou a fotografá-la por motivos de foro íntimo.

Neste diapasão é necessário deixar claro que calúnia, difamação e injúria são crimes previstos nos artigos art. 138, 139 e 140, todos do Código Penal, respectivamente, com penas que variam de três meses a dois anos e multa. Onde no caso em tela a situação vai além, pois extrapola o limite da pessoa física e atinge a pessoa jurídica, cujo também possui honra objetiva, portanto, tem uma reputação a zelar que, se violada, pode inclusive acarretar prejuízos a sua atividade econômica, cabendo também punição a quaisquer danos causados a esta por todo motim que vem sendo movimentado nas redes sociais, bem como grupos de Whatsapp envolvendo o nome da empresa e dos seus fotógrafos.

Portanto, a PhotoGram - PI reitera seu total repúdio a toda situação entabulada, cujo vem sendo envolvida de forma denegritória, difamatória e insidiosa por parte de pessoas mal-intencionadas e deixa claro que está a disposição de todos os clientes para realizar todas as tratativas legais afim de sanar da melhor forma possível todos os transtornos causados.

Faélem da Silva Nascimento

Advogada

OAB/PI 15.935