Teresina - PI

Operação Dom Casmurro: Empresas estão proibidas de realizar concursos

A informação foi confirmada ao GP1 pelo delegado responsável pelo inquérito, Ferdinando Martins, da Delegacia de Combate à Corrupção (Deccor).

Brunno Suênio
Teresina
- atualizado

A Justiça determinou que as empresas Crescer e Instituto Machado de Assis, alvos da Operação Dom Casmurro, deflagrada nesta quinta-feira (07), estão proibidas de realizar concurso público no País. A informação foi confirmada ao GP1 pelo delegado responsável pelo inquérito, Ferdinando Martins, da Delegacia de Combate à Corrupção (Deccor).

De acordo com o delegado, as empresas que tinham contratos no Piauí e outros estados do Norte e Nordeste, agiam com o intuito de fraudar as licitações, alternando a empresa vencedora para realizar certames nos municípios, a exemplo da cidade de Cocal, que teve um concurso cancelado a pedido do Ministério Público do Estado do Piauí.

  • Foto: Helio Alef/GP1Ferdinando MartinsFerdinando Martins

“A gente vai ouvir todos os empresários e outras pessoas a partir de amanhã. O mais importante é que essas duas empresas estão proibidas de fazer qualquer concurso público no Brasil, pois elas agiam no Maranhão, Pernambuco, Bahia, Pará [...] a decisão judicial do juiz de Cocal é essa. As empresas e seus empresários já estão notificados disso”, pontuou.

Vínculo entre as empresas

O delegado ressaltou também que durante as buscas realizadas nas empresas e nos endereços de pessoas relacionadas ao Instituto Machado de Assis e Crescer foram encontrados vários documentos que apontam o envolvimento entre as empresas, com a finalidade de direcionar as licitações.

“A operação focou no direcionamento das licitações e no núcleo empresarial, que eram as pessoas que estavam operando e desenvolvendo as atividades, colaborando com o grupo. Nós cumprimos mandados de buscas nas casas dessas pessoas e encontramos várias vinculações entre as empresas, documentações, editais, comprovações de participações nas licitações com certo revezamento, destacando quem iria participar da licitação, quem seria o preposto e isso serviu para corroborar com muita coisa que a gente tinha nessa fase inicial. A fraude consistia em elas simularem disputas em algumas licitações, onde uma inabilitava a outra por motivos aparentemente simples, o que demonstra que elas já vão preparadas e ajustadas para quem vai ganhar aquele certame, a ideia era essa”, acrescentou o Ferdinando Martins.

Um levantamento foi produzido e verificou-se que juntas, as empresas conseguiram lucrar pelo menos R$ 4 milhões nos últimos quatro anos. As investigações serão intensificadas, pois há suspeitas que irregularidades nos demais municípios que as contrataram para organização dos certames.

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