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PCC movimentou R$ 1,2 bilhão com tráfico internacional de drogas

Dados constam em documentos apreendidos em operação do Ministério Público; Justiça decreta a prisão de 18 acusados de pertencer à cúpula da facção.

Por  Estadão Conteúdo

O Primeiro Comando da Capital (PCC) movimentou R$ 1,2 bilhão com o tráfico internacional de drogas – a quantia não inclui os negócios particulares feitos por seus membros e associados. Os dados constam dos documentos apreendidos durante a Operação Sharks, que investigou a facção entre junho de 2018 e setembro de 2020. A Justiça de São Paulo decretou nesta sexta-feira, 23, a prisão de 18 acusados de pertencer à cúpula da estrutura de tráfico internacional de drogas e de lavagem de dinheiro da facção e de comandar as ações da organização criminosa nas ruas.

Entre os acusados pelo Ministério Público Estadual (MPE) estão Marcelo Moreira Prado, o Sem Querer, e Eduardo Aparecido de Almeida, o Pisca, que foram presos no Paraguai. Marcos Roberto de Almeida, o Tuta, é outro acusado. Ele está em liberdade e é apontado como o chefe da facção nas ruas.

Só uma parte desse dinheiro foi movimentada no sistema financeiro – cerca de R$ 200 milhões – por meio de contas bancárias em nomes de laranjas e de empresas fantasmas. O restante foi mantido pela facção em casas-cofre e transportado em carros até ser entregue a doleiros, que remetiam os recursos para o exterior a fim de a facção pagar seus fornecedores de drogas no Paraguai, na Bolívia e no Peru.

Pela primeira vez o MPE caracteriza o PCC como uma organização de tipo mafioso em razão da estrutura de lavagem de dinheiro montada pelo grupo, último degrau para que o grupo pudesse ser considerado uma máfia. De acordo com o MPE, as investigações começaram no dia 8 de agosto de 2018, quando foi preso em São Paulo Robson Sampaio de Lima. Com ele, os policiais acharam telefones celulares, computadores e drogas. Ali estavam documentos que mostravam a contabilidade do setor financeiro da facção com o tráfico de drogas.

Segundo a denúncia da promotoria, Prado, o Sem Querer, era o Sintonia Final da Rua e exerceria o controle do setor financeiro do PCC. Ele dava ordens a Lima. Tanto Sem Querer quanto Almeida, o Pisca, foram presos em 18 de julho de 2018, em Assunção, no Paraguai. Toda a movimentação financeira da facção só podia ser feita por meio de ordens de Sem Querer. Era ele quem determinava a entrega de remessas de dinheiro para os doleiros do PCC, informando os valores e para quem devia ser destinado o dinheiro que saía da rede de casas-cofre.

Nos computadores de Lima foram apreendidas planilhas que mostram que Sem Querer e Pisca eram os dois líderes do PCC aos quais ele estava subordinado. Os dois eram ligados a Tuta, apontado como o responsável por organizar o tráfico de drogas do PCC no Brasil, cuidando da distribuição de cocaína e maconha nos Estados. Ele ainda seria responsável pelos depósitos de armas do grupo.

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