No segundo dia da audiência de instrução e julgamento da vereadora Tatiana Medeiros e de outros réus investigados na Operação Escudo Eleitoral, representantes do Ministério Público e da defesa prestaram esclarecimentos à imprensa na manhã desta terça-feira (25). A sessão ocorre no Fórum Eleitoral de Teresina, sob responsabilidade da 98ª Zona Eleitoral.

O promotor Plínio Fontes explicou que a denúncia do Ministério Público teve como base a investigação conduzida pela Polícia Federal, com elementos complementares da Polícia Civil. Segundo ele, o caso foi encaminhado à Justiça Eleitoral porque envolve suspeita de compra de votos. “A base é a investigação feita pela Polícia Federal. O Ministério Público encontrou indícios de vários crimes e ofertou a denúncia. Estamos em fase de instrução, coletando provas para confirmar ou não a veracidade dos fatos”, afirmou.

Foto: Lucas Dias/GP1
Promotor Plínio Fontes

Fontes também mencionou que a denúncia inclui imputações por lavagem de dinheiro, associação criminosa e falsidade ideológica. Sobre os depoimentos, ele destacou que hoje serão ouvidas testemunhas arroladas pela defesa e disse que não comentaria o conteúdo das oitivas já realizadas. “A orientação do Ministério Público é apurar os fatos e buscar a verdade, sem se prender a formalidades que não alteram o mérito”, declarou.

Provas contestadas pela defesa

O advogado Samuel Castelo Branco, que representa a vereadora, comentou sobre o andamento da instrução e voltou a questionar a origem de algumas provas utilizadas no processo, como o relatório RIF do Coaf e as extrações de dados telefônicos. Ele afirmou que a defesa sustenta a nulidade de parte do material, tese rejeitada pela magistrada no início da audiência.

Foto: Lucas Dias/GP1
Samuel Castelo Branco

“A defesa entende que houve irregularidades na obtenção dessas provas, mas a juíza decidiu seguir com a instrução. Isso será reavaliado no momento oportuno”, disse. Sobre as acusações de compra de votos, Castelo Branco reiterou a posição da defesa: “Nós sustentamos que não houve compra de votos e que não há envolvimento de facção criminosa no processo eleitoral”.

Foto: Lucas Dias/GP1
Francisco Medeiros

O também advogado e tio da vereadora, Francisco Medeiros, declarou que Tatiana Medeiros permanece cumprindo todas as medidas cautelares e segue medicada, mas optou por comparecer pessoalmente ao fórum. Ele afirmou que a defesa pretende, ao final da fase de instrução, pedir a revogação da cautelar que mantém fechado o instituto ligado à vereadora. “Ela está presente por decisão própria e terá oportunidade de apresentar sua versão em juízo”, disse. Segundo a defesa, algumas das testemunhas ouvidas nesta terça-feira são ligadas ao instituto, e o objetivo é demonstrar que a entidade não teve participação nos fatos investigados.

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