Na última terça-feira (19), foi realizada uma audiência no Tribunal Regional do Trabalho da 22ª Região (TRT-22) com representantes da Prefeitura de Teresina para tratar do débito de R$ 204 milhões que o município tem com as empresas Servfaz, Mutual, Alfa Belazarte, Limpserv e Servsan, que prestam serviços terceirizados. Mesmo com a mediação do desembargador Manoel Edilson Cardoso, a gestão do prefeito Sílvio Mendes (União Brasil) se recusou a fazer acordo, alegando falta de recursos; com isso, mais de 10 mil trabalhadores poderão ficar sem 13º salário neste ano.
O GP1 conversou, nesta quinta-feira (21), com o presidente do Sindicato dos Empregados de Asseio e Conservação do Estado do Piauí (Seacepi), Jonatas Miranda. Ele explicou que os representantes da administração municipal recusaram até mesmo outra proposta, de pagar inicialmente R$ 25 milhões.
“A prefeitura disse que não teria como fazer nenhuma proposta de acordo nesse momento, devido à situação financeira que está passando. O sindicato patronal disse que as empresas não têm mais margens de fluxos mensais que garantam que esses pagamentos sejam garantidos, e hoje nosso maior medo é que esse pessoal não receba décimo terceiro salário”, declarou o sindicalista.
Participaram da audiência, além dos representantes das empresas e dos trabalhadores, o secretário de Finanças de Teresina, Edgar Carneiro, e a procuradora-geral do Município, Virgínia Moura.
“As empresas fizeram uma proposta do pagamento de pelo menos de vinte e cinco milhões para garantir o décimo terceiro desses trabalhadores. E mesmo com essa proposta, a prefeitura disse que não teria condições. Os salários mensais estão sendo pagos dentro do próprio mês, mas sempre com atraso. A gente nunca está conseguindo receber no quinto dia útil”, detalhou Jonatas Miranda.
Paralisação
Sem a certeza de que receberão o 13º salário, os trabalhadores estão mobilizados para cruzar os braços em novembro, caso os pagamentos não sejam feitos. “Se não chegarmos a acordo, provavelmente haverá uma paralisação da categoria por tempo indeterminado, no caso, em novembro, quando é para pagar a primeira parcela do décimo terceiro”, completou o presidente do sindicato.
Após não haver acordo entre as partes, o desembargador Manoel Edilson Cardoso deverá marcar uma segunda audiência e notificar mais uma vez a prefeitura, para que apresente nova proposta.
Outro lado
Procurada pelo GP1 , a assessoria de comunicação da Prefeitura de Teresina não se manifestou sobre o caso. O espaço está aberto para esclarecimentos.