A Polícia Federal informou nesta quinta-feira (19) que o laudo pericial do celular da vereadora de Teresina, Tatiana Medeiros , que não identificou determinação explícita de compra de votos, não afasta a suspeita do crime investigado e atribuído à parlamentar, na qual foi indiciada. De acordo com a corporação, foram encontradas conversas com registros de transferências via PIX na data da eleição de 2024, além de imagens de comprovantes de votação e planilhas com nomes e quantidades de eleitores. Para os investigadores, esses elementos indicam “possibilidade de relação” com a prática de captação ilícita dos votos.

A defesa de Tatiana chegou a apresentar, nessa quarta-feira (18), pedido de impugnação parcial do laudo sobre a resposta do perito ao Quesito 9, que indaga sobre a existência ou não de diálogo da investigada com ordem expressa para compra de votos. Os advogados consideram que, além da negativa [resposta ao questionamento], foram incluídos apontamentos com conjecturas interpretativas, ultrapassando o campo técnico e ingressando na seara valorativa.

Foto: Lucas Dias/GP1
Tatiana Medeiros chega para último dia de julgamento

No referido laudo, embora o perito afirme não ter localizado a determinação explícita de compra de votos em benefício da vereadora Tatiana Medeiros no pleito de 2024, ele acrescenta que foram identificadas conversas com registros de transferências via PIX na data da eleição de 2024, além de imagens de comprovantes de votação e planilhas com nomes e quantidades de eleitores. Diante disso, a conclusão foi de que esses elementos evidenciariam “possibilidade de relação” com a prática da compra de votos.

Com a repercussão desse parecer, a Polícia Federal resolveu se pronunciar sobre os elementos colhidos no laudo complementar, reforçando que a falta de expressões literais sobre a captação ilícita de sufrágio em conversas no celular da parlamentar não descarta seu suposto envolvimento com o ato ilegal. Dessa forma, destaca que a investigação “não se baseia na presença de palavras ou expressões isoladas”, nem mesmo ordens explícitas ou declarações diretas para configurar os atos ilícitos apurados.

“A atuação da Polícia Federal se pautou em análise contextual, sistêmica e probatória, que envolve, entre outros elementos, cruzamentos financeiros, fluxos bancários atípicos, apreensão de documentos e cadastros, análise de mídias digitais, depoimentos e correlação temporal entre eventos financeiros e eleitorais. Assim, eventual ausência de expressões literais em mensagens não descaracteriza, nem enfraquece, o conjunto probatório produzido, o qual deve ser analisado de forma integrada”, afirmou a corporação.

Confira a nota da PF na íntegra

A Polícia Federal esclarece que o inquérito policial já se encontra devidamente concluído e relatado, com todos os elementos de prova regularmente coligidos e formalmente incorporados aos autos, os quais se encontram sob apreciação do Poder Judiciário.

Sem anúncio no momento

O laudo complementar recentemente mencionado na imprensa não reabriu nem alterou o escopo da investigação, limitando-se exclusivamente a responder quesitos técnicos formulados pela defesa, nos termos do Código de Processo Penal. Referido laudo teve como objeto específico a verificação da existência — ou não — de expressões literais (“ipsis litteris”) em conversas extraídas de aparelhos telefônicos.

Ressalta-se que a investigação não se baseia na presença de palavras ou expressões isoladas, tampouco exige ordens explícitas ou declarações textuais diretas para a configuração dos ilícitos apurados. A atuação da Polícia Federal se pautou em análise contextual, sistêmica e probatória, que envolve, entre outros elementos, cruzamentos financeiros, fluxos bancários atípicos, apreensão de documentos e cadastros, análise de mídias digitais, depoimentos e correlação temporal entre eventos financeiros e eleitorais.

Assim, eventual ausência de expressões literais em mensagens não descaracteriza, nem enfraquece, o conjunto probatório produzido, o qual deve ser analisado de forma integrada.

Por fim, a Polícia Federal reafirma seu compromisso com a legalidade, a técnica investigativa e a imparcialidade, destacando que todas as conclusões constam exclusivamente do inquérito policial, devidamente relatado e encaminhado às instâncias competentes.