Moradores das ruas 31 e Petrópolis, localizadas no bairro Porto do Centro, em Teresina, denunciaram ao GP1 a precariedade da pavimentação e os impactos diretos na rotina de pessoas com deficiência que dependem de cadeira de rodas. A ausência de asfalto e a presença do chamado calçamento “cabeça de jacaré”, considerado ultrapassado, têm dificultado a locomoção e comprometido a qualidade de vida das famílias.
Na Rua 31, o jovem Felipe relata as dificuldades enfrentadas pela irmã, que é cadeirante, e cobra melhorias há anos sem retorno do poder público. “A gente já tinha, há um tempo, solicitado para que ela tivesse uma acessibilidade melhor aqui na nossa rua, porque ainda é calçamento de pedra. A gente utiliza a cadeira de rodas e, às vezes, quando vai a pé até a avenida, fica impossibilitado de passar por conta das pedras que tem aqui. Já solicitamos há um tempo, mas nunca tivemos retorno das autoridades”, explicou ao GP1 .
Situação semelhante é vivida na rua Petrópolis. A moradora Rita Sousa, mãe de uma criança com paralisia que também utiliza cadeira de rodas, descreveu os desafios enfrentados diariamente. Segundo ela, a falta de acessibilidade limita até atividades simples. “É a maior dificuldade. Até para cortar o cabelo dele, eu preciso chamar o cabeleireiro para vir em casa, porque é muito difícil sair com a cadeira de rodas. É muito complicado para um cadeirante andar em uma rua assim, cheia de buracos e pedras. Chega um momento em que a cadeira trava, e a gente quase derruba a pessoa”, relatou.
Além do filho de Rita, pelo menos outra moradora cadeirante vive na mesma rua. Ao todo, apenas nessa via, são dois moradores que dependem de cadeira de rodas e convivem diariamente com as limitações impostas pelo estado da rua.
O calçamento em pedra irregular, conhecido como “cabeça de jacaré”, é considerado obsoleto justamente por não atender aos critérios de acessibilidade. Esse tipo de pavimento vem sendo gradualmente substituído por asfalto ou pavimentação articulada, que oferecem melhores condições de mobilidade, especialmente para pessoas com deficiência.
A indignação cresce entre os moradores, principalmente porque ruas próximas já foram asfaltadas, enquanto os trechos onde vivem essas famílias seguem sem melhorias. Enquanto aguardam providências, os moradores seguem enfrentando dificuldades diárias e cobram ações efetivas que garantam o direito básico de ir e vir com dignidade e segurança.
Outro lado
Procurada, a ETURB informou, por meio de nota, que as ruas mencionadas possuem solicitação registrada em seu banco de dados. Contudo, segundo o órgão, elas não estão contempladas na atual etapa do programa de asfaltamento.
A entidade destacou ainda que as demandas permanecem cadastradas e poderão ser incluídas em etapas futuras, conforme o planejamento e a disponibilidade de recursos.
O prefeito Sílvio Mendes (União Brasil) também foi procurado pelo GP1 e, até a publicação desta reportagem, não se posicionou. O espaço segue aberto para esclarecimentos.
Confira a nota:
"A ETURB – Entidade Autárquica Teresinense de Desenvolvimento Urbano informa que as ruas mencionadas possuem solicitação registrada em seu banco de dados.
No entanto, neste momento, elas não estão contempladas na atual etapa do programa de asfaltamento. Ressaltamos que as demandas permanecem cadastradas e poderão ser incluídas em etapas futuras, conforme planejamento e disponibilidade de recursos."