Em entrevista coletiva, realizada nesta sexta-feira (27), o delegado geral da Polícia Civil do Piauí, Luccy Keiko , informou que a vítima de um caso de estupro ocorrido na última quinta-feira (19), na sede da Delegacia Geral, ainda não prestou depoimento formal devido ao seu estado de saúde.
Segundo o delegado, a vítima encontra-se em recuperação e não possui condições psicológicas de ser ouvida neste momento. “Já estive com ela em duas oportunidades. Ela fala uma frase e fecha os olhos. É uma situação que exige muito cuidado e cautela”, afirmou. Ele destacou que o depoimento somente será colhido quando houver liberação da equipe médica e com acompanhamento de um profissional qualificado, a fim de evitar revitimização.
Durante a coletiva, que contou também com a participação das delegadas Nathália Figueiredo e Bruna Fontenele, foram apresentados detalhes iniciais da investigação.
De acordo com Luccy Keiko, o suspeito, Joelmir Fagner Barros Ferraz, trabalhava no prédio há mais tempo e já conhecia a vítima antes da transferência recente para a atual sede. Ele foi contratado em 2018 por uma empresa terceirizada e atuou inicialmente no Instituto Médico Legal (IML), sendo posteriormente transferido para outros setores da Polícia Civil.
Ainda conforme o delegado, há registro de um antecedente criminal de homicídio atribuído ao suspeito, possivelmente relacionado a um linchamento. No entanto, Joelmir Fagner Barros Ferraz não chegou a ser pronunciado no processo.
A polícia também apurou, por meio de familiares, que a vítima relatava episódios anteriores de importunação por parte do suspeito, embora nunca tenha formalizado denúncia. “Ela comentava com a família, mas evitava denunciar. Por isso, reforçamos a importância de que mulheres denunciem qualquer tipo de violência, seja física, psicológica ou sexual”, ressaltou o delegado Luccy Keiko.
Tentativa de feminicídio descartada
Sobre a tipificação do crime, a delegada Nathália Figueiredo explicou que, neste momento, está descartada a tentativa de feminicídio, com base na análise inicial da dinâmica dos fatos e nos depoimentos já colhidos. No entanto, ela enfatizou que a investigação ainda está em andamento e que novas informações poderão alterar essa conclusão. “Atualmente, trabalhamos com as hipóteses de estupro e stalking. Nada impede que, com novos elementos, inclusive após a oitiva da vítima, haja mudança na tipificação”, explicou Nathália Figueiredo.
Conforme a diretora do Departamento Estadual de Proteção à Mulher, delegada Bruna Fontenele, a Polícia Civil aguarda o momento adequado para ouvir a vítima, etapa considerada fundamental para que a investigação possa ser aprofundada, com novas informações.