O governo da Venezuela atualizou neste sábado (11) o balanço oficial dos terremotos que atingiram o país no fim de junho e informou que o número de mortos subiu para 4.333. Segundo as autoridades, os tremores também deixaram 16.740 feridos, 6.462 pessoas resgatadas e 17.907 desabrigados.
O novo levantamento aponta ainda que 190 edifícios desabaram completamente, enquanto 856 sofreram danos estruturais. Desde o início da emergência, foram registradas 1.202 réplicas, e mais de 30 mil agentes continuam mobilizados nas operações de busca, assistência humanitária e reconstrução.
Terremotos mais intensos em mais de um século
Os dois terremotos consecutivos, de magnitudes 7,2 e 7,5, ocorreram em 24 de junho e são considerados os mais fortes registrados na Venezuela desde o início do século XX. As áreas mais afetadas foram Caracas e o estado de La Guaira, onde houve destruição de prédios, interrupção de serviços essenciais e milhares de pessoas desalojadas.
Logo após os abalos, o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) alertou para o potencial devastador do desastre. Em uma avaliação preliminar, a agência estimou que o número de mortos poderia ficar entre 10 mil e 100 mil, considerando a magnitude dos tremores e a vulnerabilidade das regiões atingidas.
Embora o balanço oficial permaneça abaixo dessa projeção inicial, as autoridades venezuelanas afirmam que as equipes de busca seguem trabalhando nas áreas afetadas e que os números podem ser revisados à medida que novas vítimas forem localizadas.
Missão brasileira retorna ao país
As equipes brasileiras enviadas para apoiar a resposta humanitária desembarcaram na noite de sexta-feira (10) em Brasília, após 15 dias de atuação na Venezuela. A missão reuniu profissionais da Defesa Civil, dos Corpos de Bombeiros e da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), integrados a uma força-tarefa coordenada pela Organização das Nações Unidas (ONU).
Durante a operação, os especialistas brasileiros resgataram 14 sobreviventes e participaram de 90 intervenções de busca e salvamento em conjunto com equipes de outros países. Um hospital de campanha montado na cidade de Caraballeda realizou mais de 1,2 mil atendimentos, incluindo consultas, cirurgias e exames laboratoriais.
A missão também enviou 60 toneladas de suprimentos e equipamentos médicos, além de 100 purificadores de água e 150 toneladas de alimentos, medicamentos e itens de higiene destinados às ações emergenciais.
Desaparecidos ainda não têm balanço oficial
Apesar da atualização do número de mortos, o governo venezuelano ainda não divulgou um balanço oficial sobre desaparecidos. Organizações da sociedade civil estimam que cerca de 30 mil pessoas continuem desaparecidas após os terremotos.
As autoridades informaram que as operações de resgate prosseguem em áreas de difícil acesso e em edifícios parcialmente destruídos, o que pode levar a novas atualizações do número de vítimas nos próximos dias.
Juliana Andrade
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