- Foto: Facebook/Sandra Ramos
Mizael de Brito
O corpo de Mizael Barbosa de Brito, de 41 anos de idade, foi encontrado na manhã desta quinta-feira (8) no rio Poti, próximo a Floresta Fóssil de Teresina, na zona leste da cidade.
Segundo o capitão Fábio, do 8º Batalhão da Polícia Militar, Mizael Barbosa se afogou, enquanto banhava no rio Poti, na tarde de ontem (7), por volta das 17 horas, na região do bairro Parque Jurema, zona sudeste de Teresina.
Ele residia no bairro Planalto Uruguai e era muito conhecido por fazer propagandas de óticas no centro da cidade, mais precisamente no cruzamento das ruas Barroso com a Coelho Rodrigues.
Homenagem
Uma homenagem feita por Jennyane Ramos, com o título “Ode à Mizael” causou comoção nas redes sociais. Ela descreveu características físicas e emocionais de Mizael. A homenagem, que foi publicada no facebook por Sandra Ramos, teve quase quatro mil compartilhamentos.
Confira o texto na íntegra!
Ode à Mizael
"Hoje, acordei bem cedo como todos os dias para trabalhar.O sol nasceu como sempre. Parecia um dia normal.
Até uma notícia chegar aos meus ouvidos: você, alegoria de Teresina, que abrilhantava anonimamente as ruas, sorridente, expressivo, fazendo de seu trabalho mais que um simples trabalho. Você não estava mais entre nós. As águas turvas de nosso rio implacável, incontido, indomável, haviam usurpado de ti teu fôlego, tua existência. A vida continuou, muitos apenas lembrarão um dia: o que será feito daquele rapaz, onde andará aquela voz que enchia os corredores das ruas? Ninguém sabe, ninguém viu. Você apenas passou. Passou por essa vida. Alguns sequer sabem o seu nome. Outros mal perceberam sua existência. Alguns outros apenas deram conta de que as ruas estão mais silenciosos.
A vida é muito efêmera, frágil como um papel ao vento. Nosso sopro, nosso fôlego se esvai de maneira tênue com um fio de cabelo estirado. Fácil de romper, de deixar desistir. Na regra do tempo sequer somos um traço. Sequer somos medidos. Saber que o rio te levou, levou sua alegria, também levou um pouco da minha.
Eu mal te conhecia, mas era confortável te ter ali. Sempre rindo, indo e vindo. Brincando, transformando. Mal sei de você.mas acredito que um ser humano tão brilhante não devia carregar em si mesmo mais que o peso de plumas como problema. O mais era amor, parecia ter muitos amigos e ser muito amado. Viveu uma vida plena em um mundo sem plenitude.
E num dia de independência se desprendeu da dependência de viver. Então nadou. Nadou para o início de uma nova existência. Aos que ficam só resta lamentar a ausência e torcer intimamente para que o coral de anjos te possa conter; pedir a Deus pelo alento dos amigos que sofrerão com tua partida precoce… Teresina perdeu você, infelizmente os adolescentes não passarão entre risos ao te ouvir solenemente gritar nas esquinas pela manhã. Eles sequer saberão que o som do vento ainda ecoa tuas palavras incansáveis de anos… Não tiveram o privilégio de conhecer você. Eu tive. Lamento muito não ter tido mais que teus cumprimentos e sorrisos gratuitos. E se hoje estou ali, fiel, foi porque um dia, aos 18 anos, vc me conquistou para comprar naquele lugar. E eu nem sabia seu nome.
Terça feira foi nossa despedida. Você e eu trocamos um diálogo – o primeiro em anos. Eu nem sei se vc sabia o quanto o admirava… Você pegou um café enquanto eu pegava água. Riu de uma piada que contei, respondeu uma pergunta. E não dissemos adeus.
Cuidem das pessoas que vocês amam; reparem nos seres humanos ao seu redor. Eles podem estar no final de sua passagem…"
Jennyane Ramos
08/09/2016
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