No início da tarde desta terça-feira (23), o trânsito nas avenidas Frei Serafim e João XXIII ficou bastante congestionado devido a uma manifestação no início da ponte Juscelino Kubitschek, que liga o Centro à zona Leste da capital. Manifestantes atearam fogo nas proximidades do prédio da Agespisa e seguiram em direção à Prefeitura Municipal de Teresina. Moradores do Alto do Vale, nas proximidades do bairro Vale do Gavião, na zona Leste de Teresina, iniciaram a manifestação contra uma ordem de despejo da comunidade, que foi montada através de invasão.
De acordo com uma moradora do Alto do Vale, identificada apenas como Joselene, já são cerca de 400 famílias morando na comunidade. Ainda segundo a moradora, a Prefeitura de Teresina planeja fazer o remanejamento das famílias para a zona norte.
“A gente quer a posse, quer ficar lá. Aí a prefeitura e os órgãos querem mandar a gente para ‘Andara dos Cocais’, na zona norte. Lá já foi uma invasão e a prefeitura está cuidando, é só o lote, não é casa, querem jogar a gente lá”, afirmou Joselene, que acrescentou: "vamos fazer quatro anos lá, tem casa com tijolo. A gente já mora há muitos anos, resumindo: querem tirar a gente da lama para ir para o esgoto”, desabafou a moradora.
Ordem de despejo
O manifestante Douglas Moraes, do grupo Luta Popular, contou que mesmo em negociação, a ordem de despejo não foi suspensa e a qualquer momento os moradores podem ser despejados.
“A gente está vindo agora de uma audiência do Ministério Público onde estavam presentes a Coronel Júlia, a doutora Miriam Lago, doutor Igor, da defensoria e representantes da prefeitura, da SDU e SEMDUH. Lá ficou colocado que vai ser feito um cadastro para essas famílias. Tem uma proposta para ser apresentada para redirecionar elas para uma outra área, que é a Andara dos Cocais”, afirmou Moraes.
“Qual é o problema? O problema é que a ordem de despejo que está sobre a cabeça dessas pessoas não foi suspensa, então a qualquer momento eles podem estar em um processo de negociação e a ordem de despejo ser executada. Então viemos aqui solicitar do prefeito que ele exija da justiça a suspensão da ordem de despejo”, continuou o manifestante.
Negociações
Segundo a Comandante do Gerenciamento de Crises da Polícia Militar, Coronel Júlia Beatriz, a prefeitura se disponibilizou a fazer a transferência dos moradores para outro local e acha que a manifestação é “desnecessária”.
“Foram feitos alguns acordos na reunião, que eu acho desnecessário isso aqui. Porque lá a prefeitura já se disponibilizou a transferir para outro local, o defensor, que é o advogado deles, já entrou com o agravo e vai solicitar que o desembargador entenda que eles estão precisando só de um prazo para que a transferência seja feita. A Prefeitura está cadastrando as famílias que realmente podem se enquadrar em projetos. Então tá sendo tudo encaminhado. Eu acho desnecessário”, afirmou.
Quando questionada sobre uma das reclamações dos manifestantes, de que a prefeitura quer levá-los para lugares apenas com lotes de terra, a coronel Júlia explicou.
“A prefeitura não dá uma casa, eles têm que fazer parte de um projeto. Vai dar o terreno e eles podem levar o material. A gente faz esse acompanhamento quando a gente vai cumprir a reintegração. Lógico, não é 100%, mas a gente dá o tempo deles tirarem o material. As negociações estão avançando e eles mesmo estão emperrando que avancem mais ainda”, explicou.
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