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Santa Rosa do Piauí - Piauí

PF investiga prefeito por demitir servidora que se recusou a votar no deputado Francisco Limma

Procurado pelo GP1, o prefeito negou a acusação e disse que a profissional votou em quem quis votar.

A Polícia Federal no Piauí, através da delegada Milena Caland, instaurou em janeiro deste ano inquérito para investigar denúncia contra o prefeito de Santa Rosa do Piauí, Veríssimo Antônio Siqueira (PT), acusado de assédio eleitoral contra uma prestadora de serviços que se recusou a votar no deputado Francisco Limma (PT), candidato do gestor, nas eleições de 2022.

A denunciante, Sania Valesca Cardoso Leal de Sousa, relatou que trabalhava como técnica em enfermagem contratada pela Prefeitura de Santa Rosa do Piauí desde abril de 2016, e que no período de 10 de abril de 2017 a 10 de outubro de 2022 atuou na Unidade Básica de Saúde – UBS até ser demitida. Ela sustenta que a demissão se deu em razão de ter manifestado apoio à então candidata a deputada estadual Vanessa Tapety (MDB), quando o candidato indicado pelo prefeito seria o deputado Francisco Limma.

Foto: Reprodução/FacebookVeríssimo Siqueira
Veríssimo Siqueira

De acordo com o relato de Sania, após postar a foto de Vanessa Tapety em suas redes sociais, fora do horário de trabalho, ela foi chamada e coagida a não votar em sua candidata.

Segundo a técnica em enfermagem, o prefeito Veríssimo Siqueira a chamou para falar que não tinha gostado da postagem da foto da candidata no status do WhatsApp e, na mesma ocasião, conforme a denunciante, o prefeito indicou o candidato Limma para que ela votasse. Entretanto, Sania falou que não iria votar naquele candidato, mas sim em Vanessa Tapety


Ainda de acordo com a profissional da saúde, a denunciante, em uma primeira conversa o prefeito não falou que iria demiti-la, mas pediu que ela não achasse estranho se o vice-prefeito mandasse pedir sua vaga de emprego.

Depois disso, ela contou que trabalhou cerca de um mês, tendo sido avisada por telefone, pela assessora do prefeito, que estava de férias. Na semana seguinte, Sania disse que teve uma reunião com Veríssimo Siqueira, onde ele afirmou que ela estava de férias porque ficaria teimando com o prefeito, tendo ele dito que sua assessora ligaria para ela retornar ao trabalho após as férias.

Após o fim das férias, Sania voltou ao gabinete do prefeito, porque não tinha sido convocada para retornar ao trabalho, ocasião em que o prefeito disse que ela estava demitida porque decidiu "teimar" com ele.

A profissional disse ainda que tinha conhecimento de outras pessoas que passaram por situação semelhante.

O que disse o prefeito

Em audiência no Ministério Público do Trabalho, o prefeito Veríssimo Siqueira relatou que a técnica em enfermagem é do mesmo grupo político da administração municipal atual, que a titular do cargo que ela ocupava estava de licença há três anos, sem vencimento, e havia retornado, razão pela qual, segundo o gestor, foram concedidas as férias da contratada, que foi dispensada com o retorno da titular do cargo.

Ainda conforme o prefeito, a dispensa de Sania não teve nada a ver com questões políticas nem eleitorais, muito menos com coação para votar em qualquer candidato e que houve um mal-entendido por parte da denunciante.

Prorrogação do inquérito

No mês de março, o juiz eleitoral da 5ª Zona de Oeiras em substituição, José Osvaldo de Sousa Curica, concedeu prorrogação de 90 dias para a conclusão do inquérito.

Outro lado

Procurado pelo GP1, na noite desta segunda-feira (24), o prefeito Veríssimo Siqueira negou as acusações. “Não teve nada disso, ela votou em quem quis, ninguém aqui obriga ninguém a votar”, afirmou o gestor.

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