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São Luis do Piauí - Piauí

Justiça Eleitoral marca audiência da ação que pode cassar prefeito e vice de São Luís do Piauí

Acusações de abuso de poder econômico e captação ilícita de votos podem culminar na cassação do gestor.

A Justiça Eleitoral redesignou a audiência de instrução na Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) que apura graves denúncias contra a chapa vitoriosa no pleito de 2024 no município de São Luís do Piauí. O desfecho da ação é aguardado com expectativa, uma vez que as acusações de abuso de poder econômico e captação ilícita de votos podem culminar na cassação do prefeito Raimundo Renato Vicente de Araújo (PP), do vice Francisco de Assis de Sousa e do vereador Lindalberto Ricardino da Silva.

O novo encontro judicial foi marcado para o dia 21 de agosto, às 10h30, e será realizado por videoconferência. No entanto, para garantir a lisura do processo e a incomunicabilidade entre os depoentes, o magistrado determinou que as testemunhas compareçam presencialmente ao Cartório Eleitoral em Picos. A decisão reforça o rigor da instrução processual, especialmente em um caso que envolve suspeitas de um esquema estruturado para corromper a vontade popular por meio do poder financeiro.

Foto: Reprodução/InstagramPrefeito Renato Pio
Prefeito Renato Pio

A investigação, movida pela coligação "União e Reconstrução por São Luís do Piauí", detalha um suposto esquema de compra de votos que teria utilizado, inclusive, recursos públicos. Segundo os autos, o grupo político teria realizado entregas de dinheiro em espécie e transferências bancárias a eleitores. O agravante reside na denúncia de que esses valores teriam saído de contas do próprio município, camuflados como pagamentos por serviços contratados sem licitação, configurando um uso flagrante da máquina administrativa em benefício eleitoral.

O esquema contava com um núcleo familiar estratégico, de acordo com a denúncia. As transações teriam sido coordenadas pela atual prefeita — sobrinha do prefeito eleito — e pela secretária municipal de Finanças, que é esposa de Raimundo Renato. Essa triangulação familiar e política teria permitido o fluxo de capital necessário para garantir o apoio nas urnas, ferindo a paridade de armas e a legitimidade do processo democrático na pequena cidade piauiense.

Além do repasse direto de valores, a AIJE aponta outras práticas ilícitas, como a oferta de assessoria jurídica para eleitores que realizaram transferências de domicílio eleitoral com documentos falsos. Há também relatos do aluguel de veículos para uso exclusivo durante a campanha, tudo financiado por meios escusos. Tais evidências compõem o robusto arcabouço probatório que será testado na audiência de agosto, em que o depoimento das testemunhas será crucial para confirmar a extensão do abuso de poder.

Caso as denúncias sejam julgadas procedentes após a colheita das provas, a cassação dos diplomas e a perda dos mandatos serão o desfecho natural, podendo levar o município a uma nova eleição suplementar.

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