O Ministério Público do Estado do Piauí (MP-PI) instaurou, nesta terça-feira (2), inquérito civil para apurar suspeita de improbidade administrativa envolvendo o promotor de Justiça Maurício Verdejo Gonçalves Júnior . Ele é acusado de ter exigido e recebido dinheiro para não dar prosseguimento a um procedimento investigatório criminal contra o empresário Junno Pinheiro Campos de Sousa.
O inquérito foi instaurado pelos promotores Edilsom Farias e Flávio Teixeira de Abreu Júnior. Caso a prática seja confirmada, a conduta do membro do MP pode ser enquadrada no artigo 9º da Lei de Improbidade Administrativa, que trata do enriquecimento ilícito de agentes públicos.
Maurício Verdejo foi notificado para apresentar defesa por escrito e poderá anexar documentos ao processo. O MP também determinou a juntada da íntegra da ação penal relacionada aos autos e designou servidores para acompanhar a apuração.
O caso segue em andamento e pode resultar em responsabilização nas esferas civil e administrativa.
Promotor responde por outra ação
O promotor de Justiça Maurício Verdejo Gonçalves Júnior já responde a uma ação penal em curso no Tribunal de Justiça do Piauí (TJ-PI), em que é acusado de concussão, prevaricação, tráfico de influência e supressão de documentos.
De acordo com a investigação, o promotor exigiu R$ 3 milhões do empresário Junno Pinheiro Campos de Sousa em troca do arquivamento de um procedimento investigatório e da intermediação para sua absolvição em outro processo criminal. Os encontros teriam ocorrido entre julho e agosto de 2024, em Cajueiro da Praia e Teresina.
Durante as tratativas, Verdejo teria dito possuir influência no TJ-PI e em cortes superiores, chegando a prometer que poderia “enterrar” provas e documentos sigilosos. Em 2 de agosto de 2024, o empresário esteve na residência do promotor para entregar parte do dinheiro e, dias depois, em 7 de agosto, voltou ao local para repassar R$ 500 mil. A Polícia Federal flagrou o encontro no condomínio do investigado e, na sequência, cumpriu mandado de busca e apreensão, encontrando R$ 896 mil na casa do promotor.
O ex-assessor André Ricardo teria atuado em conjunto com o promotor, inclusive orientando a vítima na elaboração de petições para facilitar o arquivamento do procedimento. Verdejo também é acusado de ter bloqueado remotamente o celular apreendido durante a operação, impedindo a extração de dados pela perícia, o que fundamenta a acusação de supressão de documento.
Diante da gravidade dos fatos, o MP-PI pediu a prisão preventiva do promotor e a perda de seu cargo público, ressaltando que as condutas atribuídas a ele e ao ex-assessor atentam contra a dignidade da função ministerial e violam os princípios da legalidade e da moralidade administrativa.