A 2ª Câmara Especializada Criminal do Tribunal de Justiça do Piauí (TJPI) determinou, por unanimidade, o restabelecimento da prisão preventiva de Erivan Gonçalves de Almondes , ex-secretário de Agricultura de Inhuma, acusado do assassinato de Adriano Dias Meirelis, crime ocorrido em 2 de março de 2025, que chocou a região central do estado. O caso, tratado inicialmente como homicídio triplamente qualificado, ganhou novos contornos jurídicos após o réu ter sido beneficiado por um habeas corpus durante um plantão judiciário, o que lhe permitia responder ao processo em liberdade, sob monitoramento eletrônico.

A reviravolta no caso ocorreu após o Ministério Público do Piauí (MPPI) apresentar provas contundentes de que o ex-secretário ignorou sistematicamente as restrições impostas pela Justiça. Segundo o acórdão relatado pelo Desembargador Antonio Lopes de Oliveira, Almondes teria violado o perímetro permitido e saído da comarca sem autorização em setembro de 2025.

Foto: Reprodução
Erivan Gonçalves de Almondes

Mais grave ainda, os registros do sistema de monitoramento apontaram que, em janeiro de 2026, o réu permitiu que a bateria de sua tornozeleira eletrônica se esgotasse completamente, além de descumprir reiteradamente o recolhimento domiciliar noturno.

Para o colegiado, a conduta de Erivan demonstrou que as medidas alternativas à prisão tornaram-se inócuas. "O descumprimento reiterado das medidas cautelares demonstra o total desrespeito do paciente para com a Justiça e a insuficiência das medidas diversas da prisão", destacou o relator em seu voto. O Acórdão foi publicado dia 20 deste mês.

O crime que deu origem ao processo remonta a uma tragédia familiar e política em Inhuma. Adriano Dias Meirelis foi morto a tiros, e a investigação apontou motivações que levaram à denúncia de homicídio qualificado. Embora a defesa tenha tentado manter a liberdade do ex-secretário alegando ausência de novos riscos, o Tribunal entendeu que a manutenção do ex-secretário nas ruas representava uma ameaça à ordem pública e à aplicação da lei penal.

Informações de última hora confirmam que, logo após a publicação da decisão colegiada, o mandado de prisão preventiva contra Erivan Gonçalves de Almondes foi devidamente cumprido pelas autoridades policiais. O réu já se encontra à disposição do sistema penitenciário, onde aguardará o desenrolar do processo e o julgamento pelo Tribunal do Júri.

Sem anúncio no momento