O professor Jailson Oliveira Sousa, docente do curso de Moda do Instituto Federal do Piauí (IFPI), campus Teresina zona sul, denunciou ter sido alvo de ataques racistas e homofóbicos praticados por sete alunos da instituição. As ofensas, segundo ele, foram publicadas em um grupo de WhatsApp formado por estudantes do segundo ano e continham mensagens discriminatórias, além de comentários que faziam referência à sua morte. O caso foi levado à Polícia Civil por meio de um boletim de ocorrência registrado na última sexta-feira (12).
As mensagens foram descobertas no dia 29 de maio. Entre os conteúdos compartilhados pelos estudantes estavam frases de cunho racista e homofóbico direcionadas ao professor. Em uma das conversas, um aluno escreveu: “vão fazer coxinha com carne dele e vender?”, recebendo como resposta de outro estudante a frase: “a carne é preta e os clientes achando que queimou”. As mensagens também continham referências à orientação sexual do professor.
Em outro trecho divulgado, um dos estudantes afirmou: “a gente odeia ele porque ele é gay e não porque é professor”. Conforme o relato, os comentários circulavam em um grupo utilizado por alunos da turma. Após tomar conhecimento do conteúdo, o professor decidiu formalizar a denúncia e comunicar os fatos às autoridades competentes para que fossem adotadas as providências cabíveis.
Em nota, o Instituto Federal do Piauí repudiou os atos de discriminação e homofobia relatados no caso e informou que situações dessa natureza não condizem com os princípios adotados pela instituição. O IFPI declarou que denúncias formalizadas ou casos constatados são encaminhados à Controladoria Interna para abertura de Processos Administrativos Disciplinares (PAD), observando os ritos e prazos legais para apuração. A instituição também informou que possui equipe multidisciplinar apta a prestar acompanhamento e apoio às vítimas.
O Sindicato dos Docentes do IFPI (SINDIFPI) também se manifestou sobre o caso e declarou solidariedade ao professor Jailson Oliveira Sousa. A entidade informou que acompanhará os procedimentos administrativos e disciplinares por meio de sua coordenação estadual e assessoria jurídica, destacando a necessidade de garantir a integridade física e mental do docente e dos demais denunciantes. O sindicato afirmou ainda que acompanhará a apuração dos fatos, observando o direito à ampla defesa e a responsabilização dos envolvidos conforme o resultado das investigações.
Confira a nota do IFPI
O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Piauí, em virtude das mensagens veiculadas em grupo turma no aplicativo Whatsapp sobre de atos de discriminação e homofobia com professor na instituição, vem a público repudiar quaisquer atos de assédio, discriminação, importunação e manipulação. Ressaltamos que estas práticas não condizem com as diretrizes desta instituição que preza pela ética, respeito e segurança de todos os seus alunos, servidores e colaboradores.
Os casos constatados ou formalmente denunciados são encaminhados à Controladoria Interna do IFPI para abertura de Processos Administrativos Disciplinares (PAD) e seguem os ritos e prazos processuais legais necessários para a devida apuração. Reforçamos que esse tipo de denúncia tem prioridade na apuração e aplicação de sanções de acordo com a legislação.
O IFPI possui equipe multidisciplinar em seus quadros que estão aptos a ouvirem e realizarem acompanhamentos que se façam necessários referentes a esta temática como uma forma de garantir amparo às vítimas deste tipo de situação.
Reafirmamos o nosso compromisso em combater a naturalização das violências e dos abusos de poder dentro e fora das Instituições de Ensino.
Confira a nota do Sindicato dos Docentes do IFPI (SINDIFPI)
A SINDIFPI manifesta sua solidariedade ao professor Jailson Oliveira Sousa, docente do campus Teresina - Zona Sul, em virtude de ataques racistas e homofóbicos praticados por um grupo de estudantes de uma de suas turmas. O exercício da docência no IFPI precisa ser respeitado e garantido por todas as instâncias, e o papel formador da instituição deve se refletir também na resposta a agressões desse tipo, para que toda a comunidade de estudantes, servidores(as) e responsáveis tenha clareza dos compromissos do IFPI com a formação integral de seus alunos.
A SINDIFPI estará acompanhando, através da Coordenação Estadual e da Assessoria Jurídica, os devidos procedimentos administrativos e disciplinares, para que, garantido o direito de ampla defesa, as responsabilidades sejam devidamente atribuídas. Nossa prioridade é a garantia da integridade física e mental do docente e demais denunciantes, para que atitudes estarrecedoras como as praticadas pelas(os) estudantes não mais encontrem lugar na instituição. O papel das famílias também precisa ser objeto de ações mais diretas e permanentes da administração do IFPI, para que a formação de nossos jovens rejeite e combata o preconceito e a violência, e não os reproduzam em atos e palavras inaceitáveis para a convivência em sociedade.