O Ministério da Justiça determinou a expulsão do russo Sergey Vladimirovich Cherkasov, apontado por autoridades brasileiras, holandesas e pelo FBI como agente da inteligência militar da Rússia (GRU). A portaria foi publicada no Diário Oficial da União e estabelece que ele ficará proibido de retornar ao Brasil por 30 anos.

A medida, no entanto, tem caráter administrativo e só será executada após o cumprimento da pena ou caso a Justiça autorize sua liberação. Atualmente, Cherkasov está preso na Penitenciária Federal de Brasília, onde cumpre condenação pelo uso de documentos brasileiros obtidos de forma fraudulenta.

A decisão foi assinada pela coordenadora de Processos Migratórios do Ministério da Justiça, Alessandra Teixeira de Araújo, com base na Lei de Migração.

O caso ganhou repercussão internacional em 2022, quando Cherkasov tentou entrar na Holanda usando a identidade falsa de Victor Muller Ferreira, apresentado como um brasileiro nascido em Niterói (RJ). De acordo com o serviço de inteligência holandês, o objetivo era assumir um estágio no Tribunal Penal Internacional (TPI), em Haia, o que lhe daria acesso a investigações sobre supostos crimes de guerra atribuídos à Rússia durante a invasão da Ucrânia.

Após ser identificado pelas autoridades holandesas, Cherkasov foi impedido de ingressar no país e deportado para o Brasil, onde acabou preso pela Polícia Federal.

As investigações da Polícia Federal apontam que o russo chegou ao Brasil em 2010 e, ao longo dos anos, construiu uma identidade falsa de cidadão brasileiro. Com os documentos fraudulentos, conseguiu emitir passaporte brasileiro, estudar no exterior e viajar por diversos países antes de ser descoberto.

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Segundo a inteligência da Holanda, Cherkasov integrava o grupo de agentes conhecidos como "ilegais" — espiões treinados durante anos para atuar sob identidades falsas e se infiltrar em instituições estratégicas no exterior.