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"Tem que colocar pessoas mais preparadas", diz Cristiano Ribeiro sobre o comandante da Cico

"Sabe o que é trabalhar todos os dias com o que você gosta de fazer? É o que eu faço há 10 anos da minha vida, já apurei os mais diversos crimes", diz Armandino Pinto ao Portal GP1

No comando da Comissão investigadora do Crime Organizado – CICO – há cinco meses, o coordenador geral da Comissão Armandino Pinto  fala que dúvidas são comuns quando há troca de delegados. Armandino Pinto já esteve à frente do 7º DP e também foi Delegado do Menor durante oito anos, função que deixou ao ser indicado pelo Secretário de Segurança Pública Raimundo Leite para o comando da CICO em substítuição ao delegado Bonfim Filho - que foi colocado pra fora da CICO pelo então secretário Robert Rios - , fato que gerou dúvidas quanto à sua indicação para a referida função.

Para o presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Piauí – SINPOLPI – Cristiano Ribeiro, quem teria de ocupar a coordenação geral da CICO tinha que ser uma pessoa mais experiente. “A Administração pública tem que primar acima de tudo pelo princípio da eficiência, que significa isso? Nada pessoal contra a pessoa do Armandino Pinto, mas tem que colocar pessoas que estejam mais preparadas, que tenha um histórico de vida suficiente para fazer parte de uma comissão especial da policia civil”, argumentou Cristiano. “Nós entendemos que ninguém pode estar fazendo experiência dentro de um grupo de elite da policia civil, nós lamentamos”, complementou.

Imagem: Mírian Gomes/GP1Cristiano Ribeiro(Imagem:Mírian Gomes/GP1)Cristiano Ribeiro

Cristiano lamentou ainda a saída do delegado Francisco Carlos Bonfim Filho. “Uma pessoa que tem uma folha de serviços prestados à segurança pública do Piauí muito grande e que de forma inexplicada foi afastada da CICO justamente quando ela vinha dando muitos bons resultados, e depois foi afastada uma equipe bastante qualificada que trabalhava em sintonia, de forma harmoniosa e dando retorno à sociedade”, completou o policial civil. “O processo de renovação é obvio que faz parte de uma prática tradicional da administração, mas tem que ir mudando paulatinamente para que aqueles que tem mais experiência possam repassar as suas experiências para os que estão chegando, mas não assim, de forma abrupta, mudar como foi mudado”, concluiu.

Imagem: DivulgaçãoClique para ampliarSebastião Alencar(Imagem:Divulgação)Sebastião Alencar
Já o Delegado Sebastião Alencar, presidente do Sindicato dos Delegados da Polícia Civil do Estado do Piauí – SINDEPOL - considera o delegado Armandino Pinto preparado para coordenar a CICO. Para Sebastião, Armandino tem um ótimo currículo técnico, tem pós-graduação, e é um ótimo nome tanto do ponto de vista técnico como do ponto de vista da experiência. “Ele é um profissional que tem vasta experiência na área, já tem mais de 10 anos de atuação, foi delegado do 7º DP por quatro anos, foi Delegado do Menor, saiu de lá com uma experiência extremamente positiva, recebendo todos os elogios do Ministério Público, do Poder Judiciário, tem muita experiência em investigação de homicídios e muitos outros crimes”, disse o delegado. “Além disso, Armandino é um dos melhores nomes que nós temos na policia civil do Piauí, é ético, tem conhecimento jurídico, tem experiência. Eu acredito que a CICO está tão bem comandada com ele quanto esteve com o Bonfim Filho”, finalizou o presidente do Sindicato.

Secretário de Segurança indicou Armandino Pinto

O Delegado Geral da Polícia Civil James Guerra informou que a nomeação do delegado Armandino Pinto para a coordenação da CICO partiu do próprio Secretário de Segurança Raimundo Leite após uma verificação dos quadros disponíveis da polícia civil. “E uma das questões que abalizaram essa indicação por parte do secretário foi justamente a experiência de Armandino”, informou o delegado. “Ele já trabalhou em distritos e à frente da Delegacia Especializada do Menor, sendo que ele foi quem mais fez procedimentos com resultados muito satisfatórios avaliados pelo próprio juiz da Vara, que inclusive lamentou a saída de Armandino daquela delegacia”, informou James Guerra.

Imagem: Mírian Gomes/GP1Delegado James Guerra e secretário Raimundo Leite(Imagem:Mírian Gomes/GP1)Delegado James Guerra e secretário Raimundo Leite

James Guerra disse ainda que, ao contrário do que muita gente imagina, aquela delegacia apura roubos, homicídios, formação de quadrilha, tráfico, entre outros crimes. “E quando é crime envolvendo de maior e de menor é o delegado do menor quem faz a investigação, pois o menor tem preferência nos procedimentos em relação ao maior. Então é justamente o contrário, quem está lá se torna experiente em uma grande variedade de crimes até maior do quem está à frente só de DPs”, concluiu o delegado geral.

Mudanças na equipe da CICO não atrapalham inquérito

Além da nomeação do delegado Armandino Pinto, também foram trocados outros integrantes da equipe da CICO. Sebastião Alencar explica que tais mudanças fazem parte da rotina administrativa. “Essas mudanças não atrapalham nenhum inquérito, absolutamente, temos hoje um quadro com a mesma qualificação que os que estavam anteriormente, não só os delegados, os agentes, os escrivães que hoje estão lotados na CICO são todos altamente qualificados. Ninguém é imprescindível no poder público. Uma mudança de nome faz parte do andamento natural da administração pública, isso é cotidiano”, disse o delegado.

O delegado geral James Guerra destacou que não há como esperar que se concluam todas as investigações para que se possa trocar a equipe. “Já pensou se fosse esperar terminar uma investigação para trocar toda a equipe? Não daria, pois são várias investigações acontecendo simultaneamente, e elas não começam e nem terminam ao mesmo tempo, isso é inviável. Sempre que houver troca da equipe haverão processos em andamento. além disso, ninguém é imprescindivel no poder público, é preciso que haja a rotstividade garantida pela democracia”, explicou.

Sobre a capacidade de Armandino Pinto comandar a CICO, James Guerra diz que essas são indagações recentes. “Isso não foi questionado quando ele e a Comissão resolveram aqueles três casos de roubo a banco, e já tem 5 meses que ele está lá e ninguém tinha questionado a capacidade dele em estar à frente daquela Comissão, só agora com o acontecimento da Fernanda Lages é que vieram com essa questão, que não procede”,

Armandino Pinto

O Delegado Armandino Pinto considera que a curiosidade sobre o comando da CICO aumentou por conta do caso Fernanda Lages. “O serviço público funciona com o princípio da continuidade, então se hoje sou eu depois for outro colega ele vai dar continuidade aos trabalhos que já estão em andamento. Não se faz troca não é por questão de desempenho, é por uma questão de rotatividade que faz parte do dia-a-dia da policia, pois quando se indica alguém já se conhece sua experiência", disse Armandino.

Imagem: Mírian GomesDelegado Armandino Pinto, coordenador geral da CICO(Imagem:Mírian Gomes)Delegado Armandino Pinto, coordenador geral da CICO

Ele lembra dos casos que já investigou à frente da CICO nestes 5 meses. “Já aconteceram vários casos antes desse crime que vitimou a jovem Fernanda. No segundo dia em que eu assumi nós nos deparamos com um caso gravíssimo que foi o assalto ao Banco do Brasil onde morreu o gerente, morreu um dos integrantes da quadrilha. Nós mandamos uma equipe pra lá, foram 12 dias de trabalho, graças a Deus todos os 11 foram presos, recuperamos todo o dinheiro, foram cerca de 870 mil reais”, lembrou Armandino. “Também teve o assalto de Curimatá, prendemos todos os integrantes da quadrilha, recuperamos quase todo o dinheiro. Teve também a quadrilha que já estava sendo investigada por vários crimes e que foi presa em flagrante em uma agência bancária da Avenida João XXIII. Agora nos deparamos com esse último caso, que repercutiu muito mais, e que estamos investigando e que com certeza vamos dar uma resposta à sociedade” concluiu o coordenador.

Armandino falou ainda de sua carreira de 10 anos como policial civil. “Sabe o que é trabalhar todos os dias com o que você gosta de fazer? É o que eu faço há 10 anos da minha vida, já apurei os mais diversos crimes e todos os dias acredito no meu trabalho, no trabalho da equipe que estiver trabalhando comigo, e na contribuição que nossas ações trazem para a sociedade. Sou tranqüilo em relação a isso, sei do meu trabalho e tenho consciência da importância dele para todos”, concluiu em tom de entusiasmo Armandino Pinto.

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