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Operários decretam greve por tempo indeterminado e denunciam ameaças do prefeito de Paulistana

"Eu não agredi nem ameacei ninguém, pelo contrário, eu fui lá para tentar fazer uma conciliação entre eles e a empresa", disse o prefeito em entrevista ao GP1.

Na manhã desta segunda-feira (21), trabalhadores da obra de construção da PI-259 que liga o município de Curral Novo a Paulistana no Sul do Piauí, conhecida como rodovia do Ferro, registraram boletim de ocorrência contra o prefeito de Paulistana, Gilberto José de Melo (PTC), o Didiu.

Segundo Regis Freire presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Construção pesada no Piauí (Sintepav), os trabalhadores teriam sofrido ameaças do prefeito após decretarem greve por tempo indeterminado.

Imagem: ReproduçãoClique para ampliarRégis Freire(Imagem:Reprodução)Régis Freire
“Nós ficamos temerosos, pois o prefeito xingou os trabalhadores e ameaçou a nós membros do sindicato. Ele estava acompanhado de policiais militares à paisana armados, para nos intimidar e nos ameaçou de morte, dizendo que é por isso que as pessoas fazem justiça com as próprias mãos e que nós vamos ter o que merecemos. Mas nós não vamos desistir do movimento, pois somos cidadãos, não atacamos ninguém, apenas estamos reivindicando direitos trabalhistas”, declarou.

O sindicalista disse que o Sintepav também denunciou ao Ministério Público do Trabalho e que o Procurador do Trabalho de Picos, Carlos Henrique Pereira Leite, determinou abertura de inquérito para apurar as denúncias contra o prefeito de Paulistana, a construtora Terracom e a Polícia Militar.

A categoria alega que a empresa responsável pela obra, a Terracom, está cometendo uma série de irregularidades, dentre elas, atraso no pagamento dos salários e horas extras dos operários.

Segundo Regis Freire, presidente do Sintepav, o horário de entrada dos trabalhadores não está correto e metade dos trabalhadores do canteiro de obras não tem Equipamento de Proteção Individual (EPI). “Os operários estão sem receber o adicional noturno e as cestas básicas, acordadas na última convenção coletiva não estão sendo distribuídas. Além disso, vários trabalhadores que estão há mais de 30 dias na obra ainda não tiveram as suas carteiras de trabalho assinadas”, declarou.

O grupo formado por cerca de 70 trabalhadores reclamam também da alimentação fornecida pela empresa e denunciam que a empresa estaria negando inclusive água para os trabalhadores levarem para o canteiro da obra.

O outro lado

Em entrevista ao GP1 o prefeito de Paulistana, Gilberto José de Melo (PTC), o Didiu, negou as acusações. Segundo ele funcionários invadiram a empresa duas vezes e a última invasão aconteceu na última semana.

Em virtude disso, a empresa registrou um boletim de ocorrência e a justiça determinou que os membros do sindicato não podem mais adentrar a obra. Nesse sentido, o gestor acusa o presidente do sindicato de estar fazendo campanha de difamação de sua imagem e atrapalhando o desenvolvimento da obra.
Imagem: ReproduçãoDidiu, prefeito de Paulistana. (Imagem:Reprodução)Didiu, prefeito de Paulistana. 

“As reclamações do sindicato estão acontecendo não em virtude de questões trabalhistas, mas por causa de um crime cometido por membros do sindicato. Eles invadiram a empresa pela segunda vez e aí a empresa decidiu registrar um boletim de ocorrência contra o funcionário. Eu não agredi nem ameacei ninguém, pelo contrário, eu fui lá para tentar fazer uma conciliação entre eles e a empresa. Sou eu nquem coloco os funcionários para trabalhar lá, e por isso fui  na tentiva de ajudar. Eu apenas disse ao sindicato que eles que estão atrapalhando meu município e recomendei aos operários que deixassem de pagar a taxa de R$ 33,00 para o sindicato, pois estão prejudicando eles próprios”, declarou.

O prefeito disse que tem conhecimento de algumas reclamações como a questão da alimentação dos operários. “Realmente eu comprovei que um dos fornecedores oferece um comida de péssima qualidade e solicitei a construtora que a empresa não mais executasse o serviço. Eu estou do lado da empresa porque quero que a obra seja realizada, mas também estou do lado dos trabalhadores porque não quero que eles fiquem desempregados”, declarou.

Empresa Terracom

O proprietário da construtora Terracom, José Filho, falou ao GP1 que a situação já havia sido resolvida após uma reunião realizada às 10h de hoje (21) e que os trabalhadores já haviam retornado o trabalho. “As carteiras de trabalho deles já foram entregues e as demais solicitações já estão sendo atendidas”, declarou.

O GP1 retornou a ligação para o presidente do sindicato, Régis Freire, que negou as informações dadas pelo empresário e voltou a afirmar que os trabalhadores estão parados e que a greve vai continuar até que as reivindicações sejam atendidas.


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