Termina nesta sexta-feira, 13 de dezembro, o prazo estipulado pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit) aos proprietários de trailers localizados na BR-316, zona urbana de Picos, para que deixem à faixa de domínio do órgão.
A medida causou muita polêmica e foi alvo de debate na Câmara Municipal de Picos na sessão da última segunda-feira, 9 de dezembro. Na oportunidade, proprietários de trailers ocuparam as galerias portando cartazes solicitando a revisão da ação do Dnit, que a princípio prejudica 28 famílias.
Esta não é a primeira vez que os proprietários dos trailers localizados no bairro Bomba são notificados pelo Dnit para deixarem o local. Em janeiro de 2008 eles receberam a mesma ordem, resistiram e ainda hoje permanecem trabalhando.
Em 18 de janeiro de 2008, apesar da resistência dos proprietários em deixar o local, vários barracos instalados às margens da BR-316, próximo à passarela, foram demolidos por determinação do Dnit.
O superintende regional do Dnit, Rubeval Isidro de Oliveira, disse que após o prazo estipulado pelo órgão se a área não tiver sido desocupada, o problema será encaminhado ao Ministério Público Federal. Em caso de desobediência poderá ser ajuizada ação cabível, além de abertura de processo criminal, na Polícia Federal, por ofensa aos arts. 26, 330 e 163, III, do Código Penal Brasileiro.
Pelo menos um proprietário de trailer instalado na faixa de domínio do Dnit, em Picos, já cumpriu a ordem de desocupação. O estabelecimento ficava nas proximidades da passarela e foi demolido. Os donos alugaram um ponto próximo a Praça de Alimentação e tentam levar o empreendimento adiante.
Resistência
Alegando que não têm para onde ir e nem qualquer alternativa de sobrevivência financeira, os proprietários dos trailers localizados na BR-316, no bairro Bomba, em Picos, prometem resistir à ordem de despejo emitida pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit).
A notificação estipulando um prazo de 15 dias para desocupação do local foi emitida em 29 de novembro e se expira nesta sexta-feira, 13 de dezembro. Sem opção, os donos dos estabelecimentos garantem que não saem, a não ser com uma ordem judicial e a presença de um expressivo contingente policial.
Fábio Charles Nunes Pimentel, que há treze anos possui um trailer no local, promete resistir. “Bom, daqui eu não saio de forma alguma. Só se vier um mandado da justiça e muita polícia para me tirar. Eu dependo disso para sobreviver, não tenho outra fonte de renda, não vendo bebida alcóolica e fechamos a noite. Não prejudico ninguém, por isso não vejo motivos para essa medida”, critica.
Para Fábio Pimentel a medida adotada pelo Dnit é uma forma abusiva de tratar as pessoas que trabalham no local. Segundo ele, no povoado Mirolândia existem quase 40 famílias trabalhando e ninguém foi notificado. “Se aqui está errado, lá também está. Não quero que eles saiam de lá. No Junco da mesma forma, todos estão dentro do domínio do Dnit e por que tirar somente esses trailers daqui?”, indaga.
José Leal dos Santos também é dono de um trailer, recebeu a notificação do Dnit, mas garante que não sai. “Queremos saber se vamos receber alguma indenização, uma casa, a exemplo dos donos dos barracos que foram demolidos próximos à passarela já alguns anos”, questionou.
Casado, pai de quatro filhos, José Leal garante que não tem nenhuma opção de trabalho ou qualquer outra fonte de renda. “Não podemos ficar sem trabalhar, somos todos pais de família. Sobrevivemos disso aqui e não podemos sair. Podem mandar as máquinas para derrubar, mas não saio”, alertou.
Maria Lourdes da Conceição, conhecida como Irmã Lourdes, disse ter ficado muito abalada com a ordem de desocupação emitida pelo Dnit. Segundo ela, é da renda do trailer que sustenta a sua família, composta de seis pessoas.
“O governo deveria ir atrás era dos bandidos que estão roubando, assaltando e matando e não agir contra nós trabalhadores”, sugeriu Irmã Lourdes. Ela disse que está preocupada com a possibilidade de deixar o local, pois está devendo e não tem nenhuma outra opção para instalar o seu estabelecimento.
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Imagem: José Maria Barros/GP1
Famílias sobrevivem da renda obtida com os trailers
Famílias sobrevivem da renda obtida com os trailersA medida causou muita polêmica e foi alvo de debate na Câmara Municipal de Picos na sessão da última segunda-feira, 9 de dezembro. Na oportunidade, proprietários de trailers ocuparam as galerias portando cartazes solicitando a revisão da ação do Dnit, que a princípio prejudica 28 famílias.
Imagem: José Maria Barros/GP1
Trailers funcionam no local há muitos anos
Trailers funcionam no local há muitos anosEsta não é a primeira vez que os proprietários dos trailers localizados no bairro Bomba são notificados pelo Dnit para deixarem o local. Em janeiro de 2008 eles receberam a mesma ordem, resistiram e ainda hoje permanecem trabalhando.
Em 18 de janeiro de 2008, apesar da resistência dos proprietários em deixar o local, vários barracos instalados às margens da BR-316, próximo à passarela, foram demolidos por determinação do Dnit.
O superintende regional do Dnit, Rubeval Isidro de Oliveira, disse que após o prazo estipulado pelo órgão se a área não tiver sido desocupada, o problema será encaminhado ao Ministério Público Federal. Em caso de desobediência poderá ser ajuizada ação cabível, além de abertura de processo criminal, na Polícia Federal, por ofensa aos arts. 26, 330 e 163, III, do Código Penal Brasileiro.
Pelo menos um proprietário de trailer instalado na faixa de domínio do Dnit, em Picos, já cumpriu a ordem de desocupação. O estabelecimento ficava nas proximidades da passarela e foi demolido. Os donos alugaram um ponto próximo a Praça de Alimentação e tentam levar o empreendimento adiante.
Resistência
Alegando que não têm para onde ir e nem qualquer alternativa de sobrevivência financeira, os proprietários dos trailers localizados na BR-316, no bairro Bomba, em Picos, prometem resistir à ordem de despejo emitida pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit).
A notificação estipulando um prazo de 15 dias para desocupação do local foi emitida em 29 de novembro e se expira nesta sexta-feira, 13 de dezembro. Sem opção, os donos dos estabelecimentos garantem que não saem, a não ser com uma ordem judicial e a presença de um expressivo contingente policial.
Fábio Charles Nunes Pimentel, que há treze anos possui um trailer no local, promete resistir. “Bom, daqui eu não saio de forma alguma. Só se vier um mandado da justiça e muita polícia para me tirar. Eu dependo disso para sobreviver, não tenho outra fonte de renda, não vendo bebida alcóolica e fechamos a noite. Não prejudico ninguém, por isso não vejo motivos para essa medida”, critica.
Imagem: José Maria Barros/GP1
Fábio Charles afirma que não sai
Fábio Charles afirma que não saiPara Fábio Pimentel a medida adotada pelo Dnit é uma forma abusiva de tratar as pessoas que trabalham no local. Segundo ele, no povoado Mirolândia existem quase 40 famílias trabalhando e ninguém foi notificado. “Se aqui está errado, lá também está. Não quero que eles saiam de lá. No Junco da mesma forma, todos estão dentro do domínio do Dnit e por que tirar somente esses trailers daqui?”, indaga.
Imagem: José Maria Barros/GP1
José Leal dos Santos garante que vai resistir
José Leal dos Santos garante que vai resistirJosé Leal dos Santos também é dono de um trailer, recebeu a notificação do Dnit, mas garante que não sai. “Queremos saber se vamos receber alguma indenização, uma casa, a exemplo dos donos dos barracos que foram demolidos próximos à passarela já alguns anos”, questionou.
Casado, pai de quatro filhos, José Leal garante que não tem nenhuma opção de trabalho ou qualquer outra fonte de renda. “Não podemos ficar sem trabalhar, somos todos pais de família. Sobrevivemos disso aqui e não podemos sair. Podem mandar as máquinas para derrubar, mas não saio”, alertou.
Maria Lourdes da Conceição, conhecida como Irmã Lourdes, disse ter ficado muito abalada com a ordem de desocupação emitida pelo Dnit. Segundo ela, é da renda do trailer que sustenta a sua família, composta de seis pessoas.
Imagem: José Maria Barros/GP1
Irmã Lourdes ficou surpresa com a notificação
Irmã Lourdes ficou surpresa com a notificação“O governo deveria ir atrás era dos bandidos que estão roubando, assaltando e matando e não agir contra nós trabalhadores”, sugeriu Irmã Lourdes. Ela disse que está preocupada com a possibilidade de deixar o local, pois está devendo e não tem nenhuma outra opção para instalar o seu estabelecimento.
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