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Animais de estimação sofrem com forte barulho da queima de fogos

Confira algumas orientações para amenizar o sofrimento do seu animal.

A tradicional queima de fogos na virada do ano é um dos momentos mais esperados e contemplados pelas pessoas. Pode ser um grande show pirotécnico, que geralmente acontece nas grandes cidades, ou uma simples queima de foguetes. O que pouco se percebe é que, nesse momento, os animais, especialmente os domésticos que vivem na zona urbana, sofrem com o forte barulho.

Os bichos, principalmente cães e gatos, reagem de diversas maneiras. Enquanto os cães latem, choram, correm, e às vezes até urinam e defecam, os gatos manifestam reação mais tranquila e preferem se isolar para fugir do barulho, embora sofram com a mesma intensidade.

Camila Fortes, fotógrafa, cria o cachorro Tião e a gata Margot, e fala de suas experiências com os bichos de estimação nesse período. Ela conta que os seus animais se estressam bastante, não só durante a queima de fogos, mas em momentos de grande movimentação na casa.

  • Foto: Lucas Dias/GP1Tião, cachorro de estimação da camilaTião, cachorro de estimação da camila

“O Tião fica latindo para os fogos incansavelmente e correndo de um lado para o outro. A Margot se esconde e eu sei que é por causa do estresse. O certo é colocar o animal dentro de um lugar, que pode ser um quarto fechado, onde ele não tenha acesso a janela, e as portas ele tenha dificuldade para encontrar, porque ele vai arranhar a porta, querer subir na janela, tentando fugir. Tem gente que recomenda tampão de ouvido, mas eu nunca usei.  Tento sempre deixar eles com alguém”, afirmou Camila ao GP1.

O médico veterinário Antônio Moreira explica que o sofrimento dos bichos se deve a grande sensibilidade que eles possuem nos sentidos, no caso, a audição. “Os animais são caçadores por natureza, a audição apurada é para ouvir qualquer movimento mínimo da presa, e escutam barulhos a quilômetros de distância. Eles [os animais] não estão preparados para ouvir aquele barulho que não exista no dia a dia, e no fim de ano é em todos os locais. Eles não são acostumados, a gente que é racional sabe o que está acontecendo e já está esperando. Eles não esperam tanto som de uma vez só”, informou.

  • Foto: Lucas Dias/GP1Margô, gata de estimação da CamilaMargô, gata de estimação da Camila

De acordo com o profissional, existem os riscos de ataques cardíacos e crises convulsivas. “O animal que tem problema de epilepsia tem uma crise com qualquer barulho, até mesmo uma batida de palmas”, esclarece. Ele coloca que em alguns casos o animal pode sofrer sequelas como um distúrbio de comportamento, necessitando posteriormente de um adestrador.

  • Foto: Lucas Dias/GP1TiãoTião

O especialista destaca que, além de isolar os bichinhos, as pessoas podem utilizar medicamentos tranquilizantes, desde que sigam prescrição médica. “Existem produtos naturais a base de serotonina, o hormônio do prazer, que pode ser administrado uma semana antes do dia 31, para que surta efeito, eles dispensam receita. Já os neurolépticos [que só vendem sob receita médica] devem ser dados ao animal apenas meia-hora antes do barulho, mas deve seguir orientação médica, pois uma baixa dosagem pode não surtir efeito ou a alta dosagem pode causar queda na pressão arterial e o bicho pode passar mal antes mesmo da queima de fogos”, ressaltou.

Camila Fortes também apresenta algumas sugestões. “O animal sente vontade de fugir do barulho, então é interessante colocar nele coleiras com plaquinhas de identificação, para no caso dele fugir e alguém de alma muito boa encontrar, poder entrar em contato. Nos casos dos chamados ‘cães de guarda’, que são criados apenas para vigiar a casa, é preciso ter cuidado, pois se no momento ele estiver amarrado pode até se enforcar na corrente. Nesse caso eu recomendo o uso de tranquilizantes”.

  • Foto: Lucas Dias/GP1Camila beijando seu cachorro de estimaçãoCamila beijando seu cachorro de estimação

Para a jovem, que que também é ativista na causa de defesa dos diretos dos animais, é fundamental que nessa época haja mais reflexões sobre a sensibilidade dos animais. “É importante que haja um maior compartilhamento de ideias, no sentido de disseminar o quanto isso é prejudicial para o animal”, finalizou.

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