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Bancários do Piauí divulgam carta para explicar motivos da greve

A categoria explica que "os banqueiros são os maiores responsáveis pela paralisação da categoria".

Nesta segunda-feira (19), completa duas semanas de greve dos bancários em todo o Brasil, com 12.727 agências paradas. No Piauí, 143 agências e postos de atendimento aderiram a paralisação, sendo 59 agências do Banco do Brasil, 46 da Caixa, 16 do BNB, sete agências do Bradesco, sete do banco Santander, seis agências do Itaú e duas do HSBC.

  • Foto: Marcelo Cardoso/GP1Greve de Bancos em Teresina Piauí Greve de Bancos em Teresina

O presidente do Sindicato dos Bancários do Piauí, José Arimatea Passos, afirma que há diversas manifestações contrárias da população por conta da paralisação e ressalta que “compreende as pessoas, porque precisam de atendimento bancário, mas infelizmente não é o sindicato quem decide pela permanência ou não da greve, e sim a própria categoria, em assembleia”, esclareceu.

Por esse motivo, o Sindicato dos Bancários do Piauí disponibilizou para a população uma carta aberta para explicar os motivos do movimento grevista, e argumenta que, a greve continua por intransigência dos banqueiros, que mantiveram a proposta rebaixada de 7% de reajuste nos salários, na PLR e nos auxílios refeição, alimentação, creche, e abono de R$ 3,3mil.

Confira na íntegra:

Os banqueiros são os maiores responsáveis pela paralisação da categoria. Os trabalhadores cruzam os braços contra o descaso dos banqueiros que insistem em desvalorizar os maiores responsáveis pelos seus elevados lucros, os bancários. A greve é um instrumento de luta dos trabalhadores. Os braços se cruzam contra a desvalorização salarial, metas abusivas, assédio moral, péssimas condições de trabalho, a onda de demissões, entre outras tantas mazelas sem respostas. Os banqueiros agem com total descaso ao tentar impor perdas de 2,39% aos bancários, e ainda, desvalorizar os funcionários, sem atender às demais reivindicações como condições de trabalho, saúde, segurança, igualdade de oportunidades e garantia de empego. Temas que os banqueiros simplesmente desprezaram até agora. Após intensos debates, durante as rodadas de negociações com o Comando Nacional dos Bancários, a Federação Nacional dos Bancos insiste na proposta rebaixada com reajuste de 7% nos salários, abaixo da inflação, e abono de R$ 3,3 mil, sem compromisso com emprego da categoria. Não houve nenhuma mudança, sequer, na proposta apresentada no último dia 9 de setembro, a qual está muito distante das reivindicações dos trabalhadores. GANÂNCIA COM TAXAS E JUROS ALTOS A população só tem a perder com a ganância dos banqueiros. A ambição dos bancos é tanta que além de não apresentar salário decente e um atendimento de qualidade, eles ainda cobram dos clientes altíssimas taxas de juros e tarifas. A taxa de juros do cheque especial bate recordes a cada mês. De acordo com dados do Banco Central (BC), chegou a 318,4% ao ano, no mês de julho (última pesquisa divulgada). No cartão de crédito, os números são ainda piores, com taxa de juros de 470,7% ao ano. Neste ano, essa taxa já subiu 39,3 pontos percentuais. LUCROS NAS ALTURAS Vale ressaltar que nesta novela de descaso, enquanto o lucro se encontra nas alturas o emprego só diminui. Com números exorbitantes, os cinco maiores bancos (Itaú, Bradesco, Banco do Brasil, Santander e Caixa) lucraram R$ 29,7 bilhões no primeiro semestre de 2016, mas, por outro lado, houve corte de 7.897 postos de trabalho nos primeiros sete meses do ano. Entre 2012 e 2015, o setor já reduziu mais de 34 mil empregos. CAMPEÕES EM MAU ATENDIMENTO Quem depende dos bancos, sabe que as reclamações são inúmeras, filas imensas, falta de funcionários, problemas com a falta de segurança, entre tantos outros. No ranking das maiores reclamações entre os consumidores brasileiros, o sistema financeiro ocupa a segunda posição. No total, o BC recebeu 5.927 reclamações no período.

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