A delegada Nathália Figueiredo, titular do Núcleo de Feminicídio do Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), revelou novos detalhes sobre a investigação que apura a morte de Jaqueline Lima de Araújo, vítima de bala perdida na BR 316, em Teresina, no dia 29 de dezembro de 2025. Dois suspeitos de participação no crime foram identificados e presos temporariamente.
Em entrevista ao GP1, na manhã desta quinta-feira (12), a delegada explicou que as diligências começaram ainda no dia do crime, quando uma motocicleta e um simulacro de arma de fogo foram encontrados próximos ao local onde Jaqueline foi atingida. “Logo no dia do acontecido, foi localizada próximo de onde a vítima foi alvejada uma motocicleta e um simulacro de arma de fogo. Quando verificamos a placa, conseguimos localizar o proprietário”, relatou Nathália Figueiredo.
Durante depoimento, o dono da moto afirmou que não estava utilizando o veículo no momento do crime, mas sim seu filho. A partir dessa informação, a equipe policial solicitou imagens do Sistema de Policiamento por Inteligência Artificial (SPIA), que possibilitaram a identificação de dois indivíduos na motocicleta.
Segundo a delegada, ao comparar as imagens com as características do filho do proprietário, foi constatada semelhança. Além disso, o próprio pai informou em depoimento que o filho teria dito que “perdeu a moto” durante uma reação, o que reforçou a linha investigativa de que os suspeitos estariam praticando assaltos na região.
Com o avanço das investigações, a polícia cumpriu mandado contra Luiz Augusto, em 09 de janeiro, ocasião em que apreendeu o aparelho celular dele. Já havia autorização judicial para análise e extração de dados do dispositivo, o que levou à identificação do segundo envolvido, João Henrique. “Representamos pela prisão temporária. Para nós está muito claro que os dois estavam num contexto de assalto e que, numa situação de reação, a senhora Jaqueline teria sido alvejada”, afirmou a delegada.
Apesar de os suspeitos alegarem que portavam apenas um simulacro de arma de fogo e que uma terceira pessoa teria reagido, a polícia identificou contradições nos depoimentos. “Eles entram em contradição com relação às características desse terceiro envolvido. Não faz sentido a informação de que estariam apenas com simulacro, especialmente porque um deles teria dito que iriam realizar uma cobrança. Não é coerente fazer isso apenas com ameaça de um simulacro”, destacou Nathália Figueiredo.
A investigação trabalha com a hipótese de que, além do simulacro, os suspeitos estariam armados com uma arma de fogo verdadeira.
Microcomparação balística
A delegada também informou que foi realizada microcomparação balística para chegar até o armamento utilizado no crime. “Com simulacro não tem como, porque é um simulacro, mas já foi feita microcomparação balística de uma pessoa apontada por eles. O resultado deu negativo, e essa pessoa conseguiu comprovar que não estava no local”, concluiu a delegada Nathália Figueiredo.
Brunno Suênio
Thais Guimarães
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