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Empresário investigado na Overclean afirma ter “comprado” mais de 50 prefeitos, diz Metrópoles

Nas mensagens, Baldino declara a um interlocutor que “já fez 38 municípios” e que estaria avançando.

Arquivo Metrópoles 1 / 3 Segundo as mensagens, os pagamentos eram realizados por meio de depósitos em dinheiro Segundo as mensagens, os pagamentos eram realizados por meio de depósitos em dinheiro
Arquivo Metrópoles 2 / 3 Baldino conversa diretamente com João Vitor, prefeito de Riacho de Santana Baldino conversa diretamente com João Vitor, prefeito de Riacho de Santana
Arquivo Metrópoles 3 / 3 Nas conversas, Baldino afirma a um interlocutor que “já fez 38 municípios” Nas conversas, Baldino afirma a um interlocutor que “já fez 38 municípios”

Mensagens atribuídas ao empresário Evandro Baldino do Nascimento, investigado em diferentes fases da Operação Overclean, indicam que ele teria comprado apoio político de prefeitos na Bahia e fechado acordos com dezenas de prefeituras por meio de repasses em dinheiro. O conteúdo foi obtido pela colunista Mirelle Pinheiro, do portal Metrópoles.

Nas mensagens, Baldino declara a um interlocutor que “já fez 38 municípios” e que estaria avançando para outros 60, em referência a supostas negociações com gestores municipais. De acordo com o conteúdo das conversas, os pagamentos seriam feitos por meio de depósitos em dinheiro, fracionados, em contas indicadas pelos próprios prefeitos.

Foto: Divulgação PFPolícia Federal prende candidato do Enem 2025
Polícia Federal

Em outro trecho, Baldino conversa diretamente com João Vitor, prefeito de Riacho de Santana (BA), também investigado na Operação Overclean e que chegou a ser afastado do cargo por decisão judicial. O empresário pede orientações sobre “como mandar a encomenda” e encaminha imagens de comprovantes bancários. João Vitor retornou à função após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), foi recepcionado com carreata no município e nega irregularidades, afirmando confiar no esclarecimento dos fatos.

Quem é o empresário Evandro Baldino

Evandro Baldino do Nascimento é ex-presidente da Câmara Municipal de Várzea do Poço (BA) e sócio da Construtora Impacto, empresa que foi alvo de mandados de busca na 5ª fase da Operação Overclean. Ele chegou a ser preso na primeira etapa da ação, em dezembro de 2024, foi posteriormente colocado em liberdade e permanece como investigado. Conforme a Polícia Federal, Baldino é suspeito de atuar na articulação logística e operacional de esquemas envolvendo fraudes em licitações e desvio de recursos públicos em municípios como Campo Formoso e Oliveira dos Brejinhos.

O empresário também é citado nas investigações como pessoa próxima ao deputado federal Dal Barreto (União-BA), outro alvo da operação. A PF apura a possível ligação entre núcleos político e empresarial no direcionamento de licitações e na execução de obras custeadas com recursos de emendas parlamentares.

Entenda a Operação Overclean

A Operação Overclean apura um esquema bilionário de desvio de verbas públicas por meio de licitações direcionadas, empresas de fachada, superfaturamento de obras e pagamento de propina a agentes públicos. Em uma das fases mais recentes, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 85,7 milhões dos investigados. A PF estima que o grupo tenha movimentado cerca de R$ 1,4 bilhão em quatro anos.

Entre os alvos estão empresários, prefeitos, vereadores, servidores públicos, operadores financeiros e assessores parlamentares. Os deputados federais Félix Mendonça Júnior (PDT-BA) e Elmar Nascimento (União-BA) também aparecem em relatórios; ambos negam irregularidades.

As investigações apontam ainda casos de obras financiadas por emendas parlamentares que não foram concluídas, como estradas que receberam recursos milionários e nunca foram asfaltadas. Empresas como Allpha Pavimentações, Construmaster (atual Vieira Infraestrutura) e a Construtora Impacto estão entre as investigadas. Segundo a PF, parte do dinheiro desviado retornava ao esquema em forma de propina, financiamento de campanhas e pagamentos diretos a agentes públicos.

A Polícia Federal apreendeu celulares, computadores e documentos que seguem sob análise. Em diálogos anteriores, Baldino e interlocutores discutem valores e formas de pagamento. Em uma das mensagens, ele afirma: “Ibipitanga é PIX. Paratinga é PIX. Estou tentando falar com Alan pra ver como vai ser o dele”. Em outro trecho, um aliado comemora: “Ibipitanga tá cheio de platita”.

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