A Polícia Civil do Piauí, por meio do Departamento de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), divulgou nesta quarta-feira (04) o resultado da Operação Falso Advogado, que cumpriu 62 ordens judiciais, sendo 31 mandados de prisão temporária e 31 de busca e apreensão. A investigação desarticulou um grupo com atuação interestadual suspeito de aplicar golpes contra pessoas que possuíam ações na Justiça. Ao todo, 14 pessoas foram presas e o prejuízo estimado às vítimas chega a R$ 500 mil em diferentes estados do país.
De acordo com o delegado-geral da corporação, Luccy Keiko, os investigados acessavam processos no sistema do PJe, obtinham cópias de petições iniciais e despachos e, a partir dessas informações, entravam em contato com as vítimas se passando pelos advogados responsáveis pelas ações. Para dar credibilidade ao golpe, criavam perfis no WhatsApp com foto e nome dos profissionais e informavam que a causa havia sido julgada procedente, exigindo o pagamento antecipado de supostas custas para liberação de valores. As transferências eram feitas para contas de terceiros, utilizados como laranjas.
Segundo o delegado, após o pagamento, as vítimas percebiam o golpe ao procurar o advogado verdadeiro, que desconhecia qualquer pedido de valores. A estimativa inicial aponta prejuízo de cerca de R$ 500 mil, mas o montante bloqueado nas contas ainda está sendo apurado. O bloqueio foi realizado por meio de comunicação do Banco Central às instituições financeiras, atingindo contas vinculadas aos investigados.
“Alguns indivíduos acessavam processos da justiça do PJE e depois que viu que tinham acesso a petição inicial e outros despachos eles passavam a manter contato com as vítimas, se fazer passar pelo advogado que ajuizou a ação, inclusive pesquisar uma foto do advogado, fazer um WhatsApp, colocar aquela foto e dizer, olha, sua ação aqui foi julgada procedente, que você tem, por exemplo, 50 mil reais para receber, você tem que pagar 10 mil de custos. E dava ali um número de uma conta, de algum laranja, e a vítima transferia. E depois que ela não recebia, ali ia entrar em contato com o advogado verdadeiro, que não estava sabendo de nada. Então, basicamente, o golpe era esse e os advogados passaram a procurar a delegacia e, nesse contexto, a OAB foi muito importante, que nos auxiliou muito. A estimativa de valor do prejuízo das vítimas foi em torno de R$ 500 mil, mas do que foi aprendido nós ainda não temos a estimativa de valores, porque foi um bloqueio. O Banco Central manda para todas as contas de vários bancos”, detalhou o delegado-geral.
O diretor do DRCC, Humberto Mácola, informou que este é o primeiro recorte da investigação, que reúne aproximadamente 50 vítimas e cerca de 120 advogados citados nesta etapa. A maioria dos alvos foi presa em Fortaleza e na região metropolitana. Ele relatou que algumas vítimas chegaram a participar de videochamadas com pessoas que se apresentavam como servidores do Judiciário, utilizando crachás e referências a tribunais, como o Superior Tribunal de Justiça, para simular autenticidade.
“Já existem outros inquéritos em andamento, mas esse primeiro recorte de vítimas e de advogados que contaram aproximadamente com 50 vítimas clientes e aproximadamente 120 advogados que estão no bojo dessa primeira etapa foi muito exitoso. A maioria dos alvos foi presa em Fortaleza, na região metropolitana. Existem vítimas que receberam inclusive uma videochamada e do outro lado um suposto servidor com crachá do STJ, do Tribunal de Justiça, se passando por servidor. Então, não acredite nisso. Nós temos vítimas que perderam 70 mil reais nesse golpe, que transferiram, tinham um valor a receber de quase um milhão e tinham que pagar 10% do valor para receber um milhão. E acreditou nisso. Então, não acreditem. Se o seu advogado está aqui em Teresina, o escritório dele é sediado aqui, não custa nada você ir lá conversar com ele, antes de transferir qualquer tipo de valor”, pontuou Humberto Mácola.
As investigações apontam que o grupo utilizava técnicas de engenharia social para obter dados públicos ou acessados de forma indevida, como nomes, telefones e detalhes processuais. Com essas informações, criavam narrativas sobre suposta liberação de alvarás ou vitórias judiciais, condicionando o recebimento do valor ao pagamento prévio de taxas ou percentuais. Em uma das situações relatadas, a vítima transferiu R$ 70 mil após ser informada de que teria quase R$ 1 milhão a receber e que deveria pagar 10% para liberar o montante. Em outra estratégia, durante videochamadas, os suspeitos solicitavam o compartilhamento de tela do celular para visualizar saldos bancários e orientar transferências em tempo real.
Brunno Suênio
Davi Fernandes
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