O impasse em torno da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal ( STF ) expôs, mais uma vez, a distância entre o entusiasmo do governo e a aritmética dura do Senado. Segundo o relator Weverton Rocha (PDT-MA), o advogado-geral da União ainda não chegou perto dos 41 votos exigidos para ter o nome aprovado, cenário que mantém a disputa em terreno aberto e sem garantias. O cancelamento da sabatina, determinado por Davi Alcolumbre (União-AP) após a ausência da mensagem oficial do Executivo, empurrou a discussão para um momento menos tenso, mas não menos incerto.
Rocha tenta manter um discurso de confiança, apostando que a equipe de articulação terá tempo para dissipar resistências e assegurar votos. A turbulência causada pela recente decisão de Gilmar Mendes sobre o alcance de denúncias envolvendo ministros do STF, porém, contaminou o ambiente político e ampliou o desgaste dentro do Senado. O relator diz trabalhar para evitar que esse descontentamento se transforme em retaliação direta à indicação de Messias, mas reconhece o clima de irritação generalizada.
Em um gesto calculado, Messias buscou desarmar parte da crise ao solicitar que Gilmar Mendes reavalie a limitação imposta às ações contra membros da Corte. A iniciativa foi interpretada como um esforço para reaproximar o STF do Senado e aliviar pressões sobre sua própria sabatina, ainda sem nova data definida.
Alcolumbre, por sua vez, intensificou o tom contra o decano, acusando-o de ultrapassar fronteiras institucionais e garantindo que o Legislativo já prepara medidas para pôr fim ao que considera um excesso de decisões monocráticas.