Neste domingo (20), chega ao fim a licença do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) de seu mandato na Câmara Federal, após quatro meses sem uma definição clara sobre qual estratégia será adotada por ele. Eduardo e seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), já declararam que o parlamentar permanecerá nos Estados Unidos, mas ainda não está definido como isso será formalizado daqui em diante.
Mesmo antes da operação da Polícia Federal (PF) que mirou Jair Bolsonaro na última sexta-feira (18), já havia um impasse em torno da possível renúncia de Eduardo ou de outra alternativa. Parlamentares do PL afirmavam que o assunto seria debatido durante o recesso parlamentar informal.
Nesta segunda-feira (21), o PL e toda a oposição devem realizar uma reunião conjunta e presencial em Brasília, por conta da operação contra Bolsonaro. É possível que o filho do ex-presidente seja um dos temas do encontro.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), de acordo com interlocutores, continuará sem comentar o fim da licença do mandato de Eduardo Bolsonaro. Ele também não descarta realizar uma reunião com líderes durante o recesso para discutir o caso.
Cúpula do PL sonda possibilidades
A pedido da liderança, a equipe do PL na Câmara elaborou uma lista de alternativas para que Eduardo Bolsonaro possa continuar no mandato. A mais provável é o uso do número de faltas que ele pode acumular sem perder o cargo.
Eduardo poderia faltar a até 44 sessões, de acordo com o líder, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ). Esse número equivale a cerca de cinco meses de ausência sem perda do mandato. O deputado também poderia apresentar novas licenças — por motivos de saúde ou interesse particular. No entanto, integrantes da legenda avaliam que isso não seria bem visto pelo público, já que Eduardo prolongaria o afastamento para atuar politicamente ao lado do governo Trump.
O deputado Evair de Melo (PP-ES) também propôs uma mudança no regimento interno para permitir que o parlamentar exerça o mandato mesmo estando fora do Brasil.
Já a Mesa Diretora da Câmara comunicou à bancada que o mandato será retomado automaticamente assim que a licença se encerrar, o que está previsto para 20 de julho.