O afastamento de partidos do Centrão da base do governo Lula, somado à entrada do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), nas articulações pela votação da anistia, acendeu um alerta no Palácio do Planalto . Com o União Brasil e o Progressistas pedindo a saída de seus filiados dos cargos no Executivo, a leitura entre líderes petistas é de que a oposição ganhou novo fôlego no Congresso, o que pode travar projetos importantes para o governo, como a proposta de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.

A movimentação ocorre em meio ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal ( STF ), o que ampliou os holofotes sobre Tarcísio, visto por aliados como o possível herdeiro político da direita para 2026. Mesmo afirmando que pretende disputar a reeleição ao governo paulista, o nome de Tarcísio já é tratado internamente no PT como o principal adversário de Lula nas próximas eleições. A articulação em torno da anistia, com apoio declarado de partidos como PL, PP, Republicanos e parte do MDB e PSD, reforça a nova correlação de forças no Congresso.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Tarcísio de Freitas

A estratégia do Planalto agora é mobilizar ministros de partidos aliados para tentar conter o avanço da oposição e garantir a votação de pautas consideradas prioritárias, como a MP do Gás do Povo, a PEC da Segurança e a própria proposta de isenção do IR. Ao mesmo tempo, assessores de Lula avaliam se o governo deve intensificar ou frear os ataques contra Tarcísio, que tem ganhado projeção nacional justamente a partir dos embates com o presidente e seus aliados.

Em recente evento, Tarcísio elevou o tom contra o governo federal, criticando o que chamou de “gastos excessivos”, “aumento de impostos” e “divisão da sociedade”. Suas declarações foram endossadas por outros governadores da direita, como Ronaldo Caiado (GO), Ratinho Júnior (PR) e Eduardo Leite (RS), em um discurso alinhado que reforça sua imagem como possível candidato à presidência. A avaliação entre analistas é que a crescente visibilidade de Tarcísio o obriga a assumir posições mais firmes e nacionais, o que pode ser vantajoso ou arriscado, dependendo do cenário eleitoral.

Internamente, no entanto, ainda há divergências sobre a melhor estratégia para lidar com o governador paulista. Enquanto ministros como Gleisi Hoffmann e Rui Costa intensificam críticas públicas, a equipe de comunicação do governo aconselha cautela para não acelerar sua projeção nacional. Com o Centrão mais distante e a oposição unida em torno da anistia, o Planalto se vê diante de um novo desafio político que pode antecipar o embate eleitoral de 2026.

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