Um livro do NetLab, laboratório da Escola de Comunicação da UFRJ fundado em 2013 e dirigido por Rose Marie Santini, reuniu pesquisas do Observatório da Indústria da Desinformação e reacendeu o debate sobre regulação das redes sociais. Intitulado Atingidos pelas Redes Sociais, o volume aponta fraudes, publicidade irregular e manipulação política online, e defende responsabilização mais forte das big techs.

A pesquisa foi feita em parceria com o Ministério da Justiça e recebeu repasse de R$ 2 milhões em 2023, o que alimentou críticas sobre possível alinhamento político do laboratório com o governo Lula. Relatórios do NetLab foram citados naquele ano por autoridades como Flávio Dino e Alexandre de Moraes para justificar ações contra anúncios contrários ao então chamado PL das Fake News (PL 2630).

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva

Críticos acusam o NetLab de direcionamento ideológico e de mirar figuras de direita, apontando ainda apoio público da fundadora a iniciativas do Sleeping Giants Brasil em 2020. O laboratório, porém, nega interferência externa, afirma independência metodológica e destaca relatórios que documentam uso ilegal de imagens de personalidades de direita.

O livro questiona o argumento da “liberdade de expressão” usado contra medidas de transparência e sugere que o Brasil siga modelos internacionais de responsabilização das plataformas posição vista por opositores como permissiva à censura. Especialistas na época criticaram alguns relatórios como pouco técnicos e subjetivos.