Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) indicam que o empresário Maurício Camisotti movimentou R$ 1,2 milhão por meio de uma fintech e de uma casa de câmbio com suspeitas de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). As operações foram identificadas durante a Operação Sem Desconto, deflagrada em abril para investigar fraudes bilionárias contra aposentados do INSS .

Camisotti, apontado pela Polícia Federal como principal controlador de três entidades envolvidas no esquema, foi preso em 12 de setembro junto com o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. Segundo as investigações, as empresas controladas por Camisotti faturaram mais de R$ 1 bilhão desde 2021, sendo que pelo menos R$ 25,5 milhões foram repassados ao lobista. Entre as movimentações suspeitas, destaca-se um depósito de R$ 568 mil na Guardiões Câmbio e Turismo, acusada de atuar como laranja para lavagem de dinheiro do tráfico de drogas na região da Cracolândia, em São Paulo.

Foto: Marcelo Cardoso/GP1
PCC

Outra operação de destaque envolve o BK Bank, fintech suspeita de participação em fraudes e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis e com possíveis vínculos com o PCC. Entre 2020 e 2024, a instituição movimentou mais de R$ 46 bilhões em contas de empresas de fachada e recebeu depósitos em espécie que totalizaram R$ 61 milhões entre 2022 e 2023. O banco teria utilizado o sistema conhecido como conta bolsão, que ocultava os verdadeiros beneficiários das transações.

O Ministério Público de São Paulo ( MPSP ) destacou que os depósitos em espécie e as movimentações milionárias tinham o objetivo de dar aparência de legalidade a recursos oriundos do tráfico de drogas. Segundo o órgão, as operações realizadas por Camisotti e seus parceiros reforçam a centralidade da lavagem de capitais no esquema criminoso investigado, dificultando rastreamento e bloqueios por autoridades financeiras.