O presidente Luiz Inácio Lula da Silva encaminhará ao Senado Federal, nesta terça-feira (31), a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias , para ocupar uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). A informação foi confirmada pelo próprio chefe do Executivo durante reunião ministerial e pelo Palácio do Planalto.

A indicação ocorre mais de quatro meses após a escolha de Messias e agora seguirá para análise dos senadores, que serão responsáveis pela sabatina e votação do nome. Cabe ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre , dar andamento ao processo. Já o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Otto Alencar, afirmou que a sabatina será marcada assim que a indicação for oficialmente recebida.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Lula e Jorge Messias

Caso seja aprovado, Jorge Messias assumirá a vaga aberta com a aposentadoria antecipada do ministro Luís Roberto Barroso, passando a relatar processos relevantes, inclusive temas sensíveis como o aborto. Após a confirmação de seu nome, setores da oposição resgataram posicionamentos anteriores do indicado, especialmente sobre discussões envolvendo normas do Conselho Federal de Medicina (CFM), o que gerou críticas e reações no meio político.

A escolha também provocou desconfortos em diferentes frentes. Movimentos sociais criticaram o fato de o presidente ter adiado novamente a indicação de uma mulher negra para a Corte — promessa feita anteriormente —, sobretudo porque o anúncio ocorreu no Dia da Consciência Negra.

Nos bastidores, houve ainda tensão institucional. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, defendia a indicação do senador Rodrigo Pacheco para o cargo. Com a escolha de Messias, o clima entre Executivo e Legislativo ficou mais delicado, especialmente após a definição de um prazo considerado curto para a sabatina, inicialmente prevista para ocorrer cerca de 15 dias após o envio da indicação.

Diante desse cenário, o governo chegou a adiar o encaminhamento oficial para garantir maior articulação política no Senado. Agora, com o envio confirmado, Messias deve intensificar o diálogo com parlamentares em busca de apoio para aprovação.

Sem anúncio no momento

Aos 45 anos, Jorge Messias poderá permanecer no STF por um longo período, com aposentadoria compulsória prevista apenas para 2055, o que reforça o peso estratégico da indicação para o futuro da Corte.