A nova líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), sofreu sua primeira derrota política ao não conseguir convencer o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), a retirar da pauta a PEC que prevê aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias.
O governo considera a proposta uma "pauta-bomba" por causa do impacto fiscal estimado em cerca de R$ 3 bilhões por ano, ou R$ 30 bilhões em dez anos. Segundo apurou a revista Oeste , apesar da preocupação da equipe econômica, Alcolumbre manteve a votação e pretende dar continuidade à tramitação da PEC em dois turnos, conforme o calendário regimental.
O Palácio do Planalto argumenta que a medida amplia as despesas obrigatórias da União e cria uma nova exceção às regras da reforma da Previdência de 2019. Ainda assim, a proposta conta com amplo apoio entre os senadores, o que dificulta a articulação do governo para barrá-la.
Durante a reunião, Teresa Leitão também apresentou as prioridades do governo para o segundo semestre, incluindo a PEC da Segurança Pública e a proposta que acaba com a escala de trabalho 6×1. Alcolumbre, porém, evitou assumir compromissos e afirmou apenas que analisará os pedidos apresentados.
Nos bastidores, a avaliação é de que a nova líder do governo enfrentará desafios para avançar a pauta do Executivo no Senado. Segundo interlocutores, Alcolumbre não demonstra disposição para acelerar os projetos prioritários do Planalto, e a proposta sobre a escala 6×1 deve ficar para depois do recesso parlamentar de julho, podendo até ser adiada para após as eleições.