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Política

Arthur Lira tenta blindar Câmara no caso Daniel Silveira

Câmara dos Deputados precisará tomar uma decisão sobre a prisão do deputado federal.
Por Estadão Conteúdo

Com a Câmara dos Deputados próxima de precisar tomar uma decisão sobre a prisão do deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ), o presidente da Casa, Arthur Lira, saiu hoje em defesa da instituição. Ele procurou blindar o parlamento da delicada situação de precisar deliberar sobre uma forte decisão tomada pelo Supremo Tribunal Federal, que ordenou a prisão do deputado.

“Todos, na vida pública, somos transitórios. E nosso maior dever, nossa maior missão, é ter a consciência de que nós não somos as instituições”, disse Lira nas suas redes sociais.

“As instituições são permanentes. As instituições ficarão. Nesse sentido, não haverá nunca crise entre as instituições, sobretudo quando há a exata compreensão de que elas são maiores do que qualquer indivíduo”, disse Lira, sinalizando que o Caso Daniel não pode ser maior do que Legislativo e Judiciário, abalando suas relações.

Na prática, a crise política aberta por Daniel Silveira se transformou num estorvo para todas as partes. Eleito há pouco mais de duas semanas, Lira vinha começando a destravar a agenda de votações na Câmara - já tinha aprovado, por exemplo, a autonomia do Banco Central. Além disso, por maiores que sejam as restrições feitas pelos parlamentares ao Supremo, nenhum deles, em juízo perfeito, concordou com o tom dos ataques e das ameaças feitas por Daniel Silveira aos ministros da Corte.

Para o Judiciário, a nova crise envolvendo um representante da ala radical do bolsonarismo também é desconfortável porque reabre uma ferida que começava a se cicatrizar.

Por fim, para o próprio governo não há vantagem alguma com o embate criado pelo deputado. Com as presidências da Câmara e do Senado mais alinhadas, a crise política atrapalha o andamento da agenda de propostas de interesse do Executivo. Incluindo as que podem garantir algum tipo de retomada do crescimento econômico.

Nesse jogo de completo perde-perde, Lira tem claramente a intenção de esfriar os ânimos o mais rápido possível para evitar que o trabalho da Câmara se perca no meio de uma brigalhada sem sentido.

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