O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump , anunciou na quarta-feira (7) uma mudança significativa na política nutricional do país ao divulgar novas diretrizes que atualizam a pirâmide alimentar. A proposta incentiva a redução do consumo de açúcar e prioriza uma maior ingestão de proteínas, além de buscar a revisão de hábitos historicamente associados ao excesso de fast food e alimentos ultraprocessados. A nova Diretriz Alimentar defende o consumo do que o governo classifica como “comida de verdade”, com foco em alimentos naturais e minimamente processados.
O novo guia recomenda o aumento do consumo de frutas, legumes, verduras, grãos integrais, proteínas de boa qualidade e gorduras consideradas saudáveis, ao mesmo tempo em que orienta a redução de ultraprocessados e carboidratos refinados. Para apresentar as diretrizes, o governo lançou um site oficial detalhando as recomendações e seus fundamentos científicos.
Embora traga semelhanças com o Guia Alimentar para a População Brasileira — especialmente no estímulo ao consumo de alimentos in natura —, a proposta norte-americana se diferencia por colocar as proteínas como eixo central da alimentação. No modelo brasileiro, alimentos de origem vegetal ocupam papel predominante.
Em comunicado oficial, o Governo Trump afirmou que diretrizes anteriores teriam priorizado interesses econômicos em detrimento da saúde pública. “Durante décadas, as Diretrizes Alimentares priorizaram os interesses corporativos em detrimento do bom senso e de recomendações científicas para melhorar a saúde dos americanos. Isso termina hoje”, diz o texto. Segundo o Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS), “as novas diretrizes alimentares recomendam priorizar proteínas de alta qualidade, gorduras saudáveis, frutas, verduras e grãos integrais — e evitar alimentos ultraprocessados e carboidratos refinados”.
Sob a liderança do secretário Robert F. Kennedy Jr., o HHS destacou que as recomendações podem ser adaptadas à realidade da população, respeitando preferências, necessidades nutricionais e renda. “Por exemplo, em proteínas, opções como frango, carne de porco, feijão e leguminosas; uma maior variedade de laticínios, em todas as faixas de preço, incluindo leite integral e produtos lácteos com alto teor de gordura; frutas e vegetais frescos, congelados, secos e enlatados; e grãos integrais”, detalha o comunicado.
O departamento também justificou a mudança com base em dados de saúde pública. “Os Estados Unidos enfrentam as mais altas taxas de obesidade e diabetes tipo 2 no mundo desenvolvido”, informou o HHS, acrescentando que “um terço dos adolescentes sofre de pré-diabetes, 20% das crianças e adolescentes têm obesidade e 18,5% dos adultos jovens têm doença hepática gordurosa não alcoólica”. Segundo o órgão, “esta nova diretriz reduzirá drasticamente as doenças crônicas — e os custos com saúde”, já que “90% dos gastos com saúde nos EUA são destinados a pessoas com doenças crônicas”.
A iniciativa foi elogiada pela Associação Americana do Coração (AHA), que, em nota, fez ressalvas. “Estamos preocupados com o fato de que as recomendações sobre o uso de sal para temperar e o consumo de carne vermelha possam, inadvertidamente, levar os consumidores a exceder os limites recomendados de sódio e gorduras saturadas”, afirmou a entidade, destacando ainda a importância de optar por laticínios com baixo teor de gordura.
No Brasil, especialistas também comentaram a proposta. Para Cynthia Valério, diretora da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso), “o grande astro dessa história foi o conceito de abolir ou minimizar ao máximo o consumo de alimentos ultraprocessados, extremamente industrializados”, ressaltando a importância da valorização das chamadas “comidas de verdade”.
O anúncio também trouxe críticas à gestão anterior. O HHS afirmou que, no passado, o governo “recomendou e incentivou o consumo de alimentos ultraprocessados e de baixa qualidade” e criticou a gestão do ex-presidente Joe Biden, que priorizou a equidade em saúde ao revisar as diretrizes nutricionais. “O objetivo das nossas Diretrizes Alimentares é fazer recomendações sobre nutrição ideal para educar os americanos e influenciar os programas federais de compras”, conclui o comunicado.