Imagem: Márcio Sales Clique para ampliar
Município de Curimatá Recebe Centro de Tratamento da Doença de Fabry
O Governo do Estado, através da Secretaria de Estado Saúde (Sesapi), inaugurou nessa sexta-feira (13), em Curimatá, o primeiro Centro de Atendimento e Tratamento da Doença de Fabry. A obra é uma parceria público-privada com a Associação Piauiense de Fabry (Aspif). A solenidade aconteceu no Hospital Estadual Júlio Borges de Macedo, onde o Centro, que recebeu o nome AMJL Vogado Rodrigues, foi instalado.
Município de Curimatá Recebe Centro de Tratamento da Doença de FabryA inauguração do Centro contou com as presenças do secretário de Saúde, Ernani Maia, do prefeito Reidan Maia e da secretária de Saúde do Município de Curimatá, além de representantes da Aspif, e da comunidade local, envolvidos com o projeto. Na ocasião foi entregue ao Secretário de Saúde do Estado um relatório com especificações de equipamentos para a realização dos exames aos quais os pacientes de Fabry devem se submeter regularmente como parte do tratamento. Essa medida também beneficiaria a população como um todo, poupando quem já está debilitado de desgastes físicos e custos financeiros adicionais.
“Nós entramos com o terreno anexo ao hospital, projeto arquitetônico e vamos dar as condições, através de equipamentos, para que os pacientes façam os exames no próprio hospital, sem precisar se descolar a Teresina”, afirma Ernani Maia.
A escolha da cidade de Curimatá - município de 10 mil habitantes, localizado a 700 quilômetros da capital Teresina - para a construção do Centro de Atendimento e Tratamento AMJL Vogado Rodrigues foi motivada pelo fato de o município concentrar o maior número de pessoas portadoras de Doença de Fabry. Condição crônica, de origem genética, a doença atinge vários órgãos vitais levando a uma maior incidência de, especialmente, acidentes vasculares cerebrais (AVC) e problemas cardíacos.
No Brasil, até o momento, foram identificados cerca de 220 portadores de Fabry. No mundo, estima-se que existam mais de 25 mil pessoas com a doença.
Descoberta
A descoberta desse grupo de portadores da Doença de Fabry se deu a partir do trabalho de pesquisa da dra. Semíramis Jamil Hadad do Monte e do Dr. José Tibúrcio do Monte Neto, médicos da Universidade Federal do Piauí (UFPI), que diagnosticaram o primeiro paciente de Fabry da região.
A Doença de Fabry é uma condição genética rara, transmissível somente por hereditariedade, a homens e mulheres. Ela ocorre por consanguinidade quando membros de uma mesma família têm filhos entre si e é causada pela deficiência, ou ausência, no organismo da enzima alfa-galactosidase, responsável pela decomposição de certos lipídeos (gorduras). A falta desta enzima provoca um acúmulo de uma substância gordurosa, especialmente, nos vasos sanguíneos, prejudicando o funcionamento de sistemas e órgãos vitais, como rim, coração e cérebro, com consequências graves e, em alguns casos, fatais.
A doença de Fabry não apenas prejudica a qualidade de vida do paciente, como também reduz substancialmente a expectativa de vida, em ambos os sexos (50 anos para homens e 70 anos para mulheres), aumentando a chance de morte por infarto do coração, acidente vascular cerebral (AVC) e insuficiência renal. A maioria dos pacientes são diagnosticados já na idade adulta, mas, os sintomas começam a aparecer nas idades de 3 a 10 anos (para homens) e 6 a 15 anos (para mulheres).
Embora ainda não tenha cura, a Doença de Fabry tem tratamento: a Terapia de Reposição Enzimática (TRE).
Projeto
O Projeto Curimatá já representa um marco na história do município, não apenas para os pacientes de Fabry, mas para toda a comunidade. A partir da implementação do Centro, a expectativa é que o trabalho desenvolvido pela Aspif aumenta suas possibilidades de atendimento e tratamento da doença, trazendo melhoria na qualidade de vida dos pacientes.
Fundada em 2009, A Associação Piauiense de Fabry é uma entidade que luta pela melhoria das condições de vida dos pacientes de Doença de Fabry no estado do Piauí. A Aspif tem importante papel no diagnóstico e no tratamento dos pacientes. A entidade também tem uma missão importante na desmistificação da doença junto aos moradores de Curimatá e no resgate da autoestima dos pacientes. De acordo com Gabriela Ribeiro de Araújo, que presta apoio administrativo à Aspif, antigamente, os pacientes eram pouco informados e não tinham suporte adequado. “A Aspif vem ajudando os pacientes a serem atendidos adequadamente, bem como aprendendo a fazer a gestão correta da associação”, afirma.
Ver todos os comentários | 0 |