A Justiça de São Paulo colocou no banco dos réus o prefeito de São Bernardo do Campo, Marcelo de Lima Fernandes (Podemos), suspeito de corrupção. Na decisão, proferida nesta segunda-feira (15), o juiz Roberto Porto aceitou a denúncia feita pelo Ministério Público, e agora o gestor irá responder pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Conforme fundamentado pelo magistrado, os objetos e documentos apreendidos no apartamento de Paulo Iran Paulino Costa, apontado como operador financeiro do prefeito, substanciaram as acusações contra Marcelo de Lima. Os elementos indicam que o chefe do Executivo tinha as despesas pessoais da família pagas por Paulo Iran com dinheiro de propina.

Foto: Reprodução/Instagram
Marcelo Lima Fernandes

O cartão de crédito, passagens aéreas e até mesmo a faculdade de Medicina da filha de Marcelo de Lima eram custeadas por Iran, considerado peça-chave no esquema que levou ao afastamento do prefeito. Tudo isso era articulado por meio de trocas de mensagens codificadas em um telefone paralelo, em que o gestor contava até mesmo com a ajuda de um funcionário da Prefeitura, Antônio Renê da Silva Chagas.

Paulo Iran era lotado no gabinete do deputado estadual Rodrigo Moraes (PL), e recebia dinheiro de pelo menos 15 empresas dos setores de saúde e obras da Prefeitura. Ele foi exonerado do cargo que ocupava um dia depois da Justiça decretar sua prisão preventiva, e nessa sexta-feira (12) conseguiu habeas corpus junto ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

A casa dele foi alvo de busca pela Polícia Federal em 7 de junho deste ano, ocasião em que foram apreendidos mais de R$ 12 milhões e US$ 157 mil, além de R$ 583 no carro. Anotações com codinomes para organizar dinheiro também foram encontrados.

O prefeito Marcelo de Lima é acusado de envolvimento no esquema de corrupção ligado às secretarias de Obras e Saúde de São Bernardo do Campo, foi afastado do comando da Prefeitura em agosto deste ano, após ser alvo da Operação Estafeta, da Polícia Federal. Entretanto, o ministro Reynaldo Soares da Fonseca, do STJ, determinou o retorno dele ao posto no dia 10 de outubro.

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