Em um discurso durante a manifestação “Justiça Já”, neste domingo (29), na Avenida Paulista, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou que a perseguição judicial da qual se considera vítima não tem como objetivo final apenas sua prisão, mas sim a sua eliminação. Bolsonaro é réu em uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) por suposta tentativa de golpe de Estado, cujo relator é o ministro Alexandre de Moraes.

“Não importa a covardia que fizeram comigo, eu não posso fugir da verdade com vocês que estão comigo. O objetivo final não é me prender, mas eliminar”, declarou. “Não quero ser preso ou morto, mas não fugir da minha responsabilidade com vocês.”

O ex-presidente também respondeu a uma faixa exibida por manifestantes que perguntava: “O que fazer agora?”, em referência à sua inelegibilidade e ao cenário político incerto para as eleições de 2026.

“Se o país me der 50% da Câmara e 50% do Senado, não importa onde eu esteja, eu mudo os rumos do Brasil”, afirmou. “Se me derem isso, não importa onde eu esteja, aqui ou no além, quem eleger a maioria, não importa quem será eleito [para presidente].”

Segundo Bolsonaro, com maioria no Congresso, seria possível garantir as presidências da Câmara e do Senado e alterar os rumos políticos do país. “Nem eu preciso ser presidente. Com a maioria, podemos mudar todos os rumos do país”, declarou. “Não quero isso para perseguir ou por revanchismo, mas porque amo meu país. Não tenho obsessão pelo poder, tenho paixão pela minha pátria.”

Pedido de anistia

Durante o discurso, Bolsonaro voltou a defender a anistia aos condenados pelos atos do 8 de janeiro, citando o caso da cabeleireira Débora dos Santos, condenada após escrever “perdeu, mané” com batom na estátua da Justiça, em frente ao STF.

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“Isso não é justiça, é uma brutal injustiça e por isso lutamos pela anistia”, disse. “A anistia é um remédio previsto na Constituição e previsto pelo Congresso, independente dos dois Poderes. É um gesto de altruísmo.”

Ele reforçou que espera o apoio também do Judiciário e do Executivo para a aprovação da medida. “Nós podemos trazer a pacificação”, afirmou. E completou: “Todo esse tempo para quem está preso e nada deve é uma tortura. Esse crime, para quem acredita, sabe que não terá perdão no juízo final.”

O ato reuniu aliados políticos, parlamentares de direita e apoiadores de Bolsonaro, que usaram roupas verde e amarelo, exibiram faixas com críticas ao STF e pediram anistia aos presos por envolvimento em atos antidemocráticos.